Viver a Misericórdia

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A Igreja Católica está prestes a vivenciar um de seus mais fortes tempos litúrgicos: a Quaresma. Esse período de quarenta dias, que se inicia na Quarta-Feira de Cinzas e se estende até às vésperas da Quinta-Feira Santa, é marcado pelo apelo à revisão de vida e conversão interior.

A sabedoria eclesial, ao longo desses dois mil anos de história, apresentou aos fiéis sinais, símbolos e práticas que favoreçam essa caminhada rumo à vontade de Deus. A cor litúrgica utilizada nas celebrações é o roxo, que lembra a penitência e a espera; as leituras bíblicas são todas voltadas para a meditação da misericórdia de Deus e da conversão da humanidade; estimula-se à prática do jejum, de forma que ao dominar o corpo, o fiel consiga direcionar melhor a sua vontade para aquilo que é bom e justo; a oração, nesse tempo favorável, deve ser realizada com mais perseverança, constância e sinceridade. Também não podemos esquecer das simbólicas cinzas, que são impostas sobre a fronte de cada fiel: “lembra-te de que és pó e ao pó hás de voltar”, proclama o sacerdote ao ministrar esse sacramental.

De uma forma especial, entre as práticas quaresmais, o Papa Francisco conclamou todos os cristãos católicos a exercitarem as Obras de Misericórdia. “A misericórdia de Deus transforma o coração do homem e faz-lhe experimentar um amor fiel, tornando-o assim, por sua vez, capaz de misericórdia. É um milagre sempre novo que a misericórdia divina possa irradiar-se na vida de cada um de nós, estimulando-nos ao amor do próximo e animando aquilo que a tradição da Igreja chama as obras de misericórdia corporal e espiritual. Estas recordam-nos que a nossa fé se traduz em atos concretos e quotidianos, destinados a ajudar o nosso próximo no corpo e no espírito e sobre os quais havemos de ser julgados: alimentá-lo, visitá-lo, confortá-lo, educá-lo” (Mensagem para a Quaresma, de 26/01/2016).

Em uma passagem da Escritura, Jesus Cristo ressoa um oráculo do Antigo Testamento: “Quero a misericórdia, não o sacrifício” (Mateus 9,13; Oséias 6,6). Para os cristãos, a dimensão da misericórdia de Deus não é simplesmente um ato devocional, mas um programa de vida que se traduz em atitudes muito concretas: dar de comer a quem tem fome; dar de beber a quem tem sede; vestir os nus; acolher os peregrinos; visitar os presos; assistir aos doentes; enterrar os mortos; dar bons conselhos; corrigir os que estão no erro; suportar com paciência as dificuldades do outro; ensinar os que não sabem; consolar os que sofrem; confortar os angustiados; rezar a Deus pelos vivos e pelos mortos.

Que nesta Quaresma do Ano Santo da Misericórdia, proclamado pelo Papa Francisco, cada fiel possa compreender e viver a misericórdia em suas vidas, sendo canal da misericórdia de Deus para o próximo!

 

Padre João Paulo Veloso

Arquidiocese de Palmas

Coordenador Nacional do Ministério Cristo Sacerdote


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