Louvor, a alegria do coração

alt

“Não vos embriagueis com vinho, que é uma fonte de devassidão, mas enchei-vos do Espírito. Recitai entre vós salmos, hinos e cânticos espirituais. Cantai e celebrai de todo o coração os louvores do Senhor” (Ef 5,18-19).

 

Durante a vigília no Circo Máximo, em Roma, por ocasião das celebrações do Jubileu de Ouro da RCC, o Papa Francisco fez algumas recomendações importantes aos carismáticos de todo o mundo. Uma destas recomendações diz respeito ao louvor e aos aspectos do júbilo e da alegria, características peculiares da Renovação Carismática Católica que devem estar presentes na vida de todos os carismáticos e carismáticas e, por consequência, nos nossos Grupos de Oração.

Disse o santo padre:“... lembrais constantemente à Igreja o poder da oração de louvor. Louvor que é a oração de gratidão e de ação de graças pelo amor gratuito de Deus. Pode acontecer que alguém não goste deste modo de rezar, mas não há dúvida que se insere plenamente na tradição bíblica. Por exemplo, os Salmos. Davi dançava diante da Arca da Aliança, cheio de júbilo... E, por favor, não caiamos na atitude dos cristãos com o ‘complexo de Micol’, que se envergonhava pelo modo como Davi louvava a Deus [dançando em frente da Arca]. Júbilo, alegria, felicidade são frutos da mesma ação do Espírito Santo! O cristão ou experimenta a alegria no seu coração ou significa que algo não funciona. A alegria do anúncio da Boa Nova do Evangelho!Jesus na Sinagoga de Nazaré lê o trecho de Isaías. Leio: ‘O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu; e enviou-me para anunciar a boa nova aos pobres, para sarar os contritos de coração, para anunciar aos cativos a redenção, aos cegos a restauração da vista, para pôr em liberdade os cativos, para publicar o ano da graça do Senhor’ (Lc 4, 18-19; cf. 61, 1-2). A boa nova: não esqueçamos isto. O jubiloso anúncio: o anúncio cristão é sempre jubiloso”.

Estas palavras do santo padre devem ser entendidas como uma direção do Espírito Santo para todos nós que participamos da RCC. Por isso, é salutar meditar sobre a importância que elas representam para a nossa vida pessoal e também para os nossos Grupos de Oração.

Lembrais constantemente à Igreja o poder da oração de louvor”.

Igualmente ao Papa Francisco, também o Papa João Paulo II já dizia que a RCC tem ajudado a Igreja a lembrar da importância do louvor. Quando falando à Renovação Carismática, na Itália, a 14 de março de 2002, ele disse:“Faço votos cordiais para que a Renovação no Espírito seja na Igreja uma verdadeira ‘escola’ de oração e de ascese, de virtude e de santidade. De maneira especial continuai a amar e fazer com que se ame a oração de louvor, forma de prece que mais imediatamente reconhece que Deus é Deus: Canta-O por Ele mesmo, glorifica-O pelo que Ele é, antes mesmo do que por aquilo que Ele faz”.

Com certeza, se há algo que se pode creditar à Renovação Carismática na espiritualidade do catolicismo nestes últimos cinquenta anos é, sem dúvidas, o resgate e a prática da oração de louvor, pessoal ou coletivo, espontâneo e inspirado. E isso se deve essencialmente a vocação de nossos Grupos de Oração, que é proclamar as maravilhas, a grandeza e o poder de Deus, por meio da adoração e do louvor. Creio que muitos se lembram daquela canção que cantávamos nos nossos Grupos de Oração que dizia: “mas é no louvor que Ele age transformando o nosso coração. Mas é no louvor que a Sua presença nos cura e nos dá amor”. É exatamente isso o que acontece quando louvamos a Deus. O louvor traz Deus para o centro da nossa vida e de tudo o mais que realizamos. E quando isso ocorre experimentamos o Seu amor e o Seu poder em ação no nosso dia-a-dia. Se formos um povo de louvor, os seus efeitos estarão bem visíveis na nossa vida. Se nos nossos Grupos de Oração o louvor ocupar um espaço privilegiado veremos poderosos sinais de conversão na vida dos irmãos. É neste aspecto que devemos compreender estas palavras do santo padre quando afirma que temos lembrado a Igreja o poder que tem a oração do louvor.

Você tem praticado o louvor no seu dia-a-dia e no seu Grupo de Oração?

“...Louvor que é a oração de gratidão e de ação de graças pelo amor gratuito de Deus”.

A oração de louvor e de ação de graças constituem uma linha de força particular. O engrandecimento de Deus motivado por aquilo que Ele é e pelas maravilhas que realizou na História da Salvação e ainda hoje naqueles que Nele confiam. O louvor a Deus e a ação de graças é uma genuína oração bíblica e eclesiástica. O verdadeiro louvor, no entanto, é quando nos dirigimos a Deus não só pelo que Ele pode realizar ou nos dar, mas por tudo o que Ele é.

Essa maneira maravilhosa e bíblica de nos dirigir a Deus corrige e purifica a imagem mágica de um Deus maleável, que está à nossa disposição para suprir as nossas fraquezas, um Senhor “bondoso” cuja existência justifica-se, em razão de viver para “esconder” e cobrir nossa impotência. Portanto, o louvor e a ação de graças são a expressão de um amor desinteressado e agradecido, que para nós descobrem e aprofundam o verdadeiro rosto de Deus que é amor. Por isso, não devemos nos surpreender pelo fato de o louvor, quando é de fato sincero, levar o Grupo de Oração a uma vida cristã que é “eucaristia”, ação de graças. Assim deve desembocar na aproximação, na intensificação e na frequência à “eucaristia sacramental”, expressão perfeita de todo louvor e ação de graças.

Quando descobrimos e praticamos essa esplêndida dimensão do louvor, da adoração e da ação de graças, não precisamos nos surpreender pelo fato de a nossa própria vida e da comunidade mudarem profundamente em todas as suas dimensões, e de o Senhor se fazer presente na Sua ação salvadora com manifestações até surpreendentes, por meio da poderosa ação do Espírito Santo.

“...Pode acontecer que alguém não goste deste modo de rezar, mas não há dúvida que se insere plenamente na tradição bíblica. Por exemplo, os Salmos. Davi dançava diante da Arca da Aliança, cheio de júbilo.”

Não há dúvida de que o Papa Francisco sabe muito bem que podemos encontrar nas nossas comunidades pessoas que desaprovam o nosso jeito de ser RCC no que se refere ao modo de expressar a nossa espiritualidade. Mas, percebam que o santo padre nos anima e nos incentiva a continuarmos firmes, mesmo diante de algumas incompreensões. Por isso, ele nos lembra de que o louvor é uma oração que se insere perfeitamente na tradição bíblica, querendo dizer com isso que o louvor nos nossos Grupos de Oração está em perfeita sintonia com a doutrina e com a tradição da Igreja. Esta grande motivação que o Papa Francisco nos faz deve se transformar em atitudes concretas nos nossos Grupos de Oração. Sem dúvida nenhuma, o santo padre espera que, em todos os Grupos de Oração, o louvor esteja presente, portanto, precisamos dar esta resposta ao santo padre.

Se nos nossos Grupos de Oração o louvor possa ter sido deixado de lado como foco principal das nossas reuniões de oração, é preciso que façamos as correções necessárias. Para isso, temos hoje farto material a respeito da importância e da prática do louvor. É necessário que os responsáveis por nossas reuniões de oração se empenhem em permanentemente instruir o nosso povo a respeito desse importante componente da identidade carismática. Não se deve supor que as pessoas que frequentam as reuniões de oração já saibam louvar e já compreendem o seu valor. Para que o louvor volte a ser oração característica e predominante de nossos Grupos de Oração é fundamental ensinar o nosso povo a louvar, disponibilizando momentos para o louvor na reunião de oração.

Evidentemente que o louvor nas nossas reuniões de oração não deve ser apenas o resultado de uma formação ou de um ensino, mas sim a expressão daquilo que experimentamos no cotidiano de nossas vidas. A atitude de louvar a Deus como foco de nossa oração traz consigo tudo o mais: nós nos reunimos por Ele, e não por nós mesmos; para sermos como Ele e estarmos com Ele; para ouvirmos Sua Palavra e deixarmos que penetre e frutifique em nossos corações; para um silêncio consistente, no qual expressamos o mais reverente louvor; para nos entregarmos à ação do Espírito Santo, recebendo os dons e carismas de sua graça, para crescermos no amor por nossos irmãos e para alcançarmos o júbilo e a alegria que advém do Evangelho.

“Júbilo, alegria, felicidade são frutos da mesma ação do Espírito Santo! O cristão ou experimenta a alegria no seu coração ou significa que algo não funciona”.

Estes aspectos do louvor que o santo padre evidencia são elementos fundantes da RCC. O júbilo, a alegria e a felicidade, como afirma o Papa, são frutos da ação do Espírito Santo na vida de todo o cristão que abre sua alma para o Espírito Santo agir. Portanto, estes frutos têm que estar presentes em nossas vidas e, consequentemente, nos nossos Grupos de Oração.

O espírito angustiado é como uma veste pesada sobre a nossa alma e não é condizente com o Evangelho de Jesus. Deus quer trocar os sentimentos de angústia por expressões de louvor. Deus quer tirar da nossa vida toda veste de tristeza, de depressão, de melancolia, e vestir-nos com vestes de louvor. O óleo da alegria vem junto com as vestes de louvor. O louvor a Deus deve incluir expressões de alegria. Por isso as expressões de louvor nos nossos Grupos de Oração devem vir acompanhadas de palmas, do erguer as mãos, de cânticos inspirados etc. Não importa qual é a expressão, mas tem que haver uma expressão, pois o verdadeiro louvor é sempre expressivo. Vista­-se de louvor e receba o óleo da alegria.

O verdadeiro louvor se expressa quando decidimos louvar mesmo quando o nosso corpo não quer. É quando adoramos ainda que estejamos tristes e angustiados. É quando não temos razão nenhuma para cantar, mas ainda assim oferecemos um sacrifício de louvor ao Senhor. Portanto, quando tudo o mais parecer não funcionar, experimentemos louvar. Quando tudo parecer sem sentido e não se conseguir perceber uma solução, apenas fechemos os olhos e louvemos. Mesmo que a situação parecer difícil, cantemos louvores. Não sabemos mais o que fazer? Louvemos ao Senhor. Apenas digamos o quanto o amamos. Nada há o que atormente mais o inferno do que isso. Nunca permitamos que o inimigo cale a nossa boca! Nunca deixemos de louvar. Se nos calarmos, seremos derrotados. Não importa o que aconteça, cantemos um cântico novo ao Senhor e rapidamente sentiremos o toque do Senhor, porque Deus habita no meio dos louvores do seu povo.

 

Luiz César Martins

Grupo de Oração Fonte Viva do Santíssimo Sacramento – Curitiba (PR)


Leia mais sobre Artigos