Santidade, pátria celeste

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A  Solenidade de Todos os Santos remonta o culto aos mártires nas igrejas do oriente. Mas, é por volta dos anos 608 - 615 que o papa Bonifácio IV inicia no ocidente o culto a estes e a outros tantos homens e mulheres,exemplosde santidade instituindo a tradição. A data de 1º de novembro foi oficializada pelo papa Gregório IV (827-844).

No Brasil, celebra-se esta festa no domingo posterior àdata, como é de costume para solenidades de grande importância que não caem em dia de feriado. É a celebração da fé da Igreja professada no Credo: “Creio… na comunhão dos santos!”

A festa tem como objetivo fazer memória a todos àqueles que se tornaram modelos de vida cristã e seguimento de Jesus. Estes são muitos, conhecidos e famosos, ou mesmo tantos outros santos anônimos, sem nome e sem rosto conhecidos, que chegaram à Pátria Celeste.

A santidade não é somente para alguns poucos “eleitos, místicos, grandes homens ou mulheres de vida interior”, como se fosse fora do alcance de qualquer simples operário, dona de casa, profissional ou do jovem estudante universitário. É um chamado a ser vivido por todos.

Como membros da Igreja de Cristo todos os batizados possuem a vocação à santidade. O Concílio Vaticano II ressalta isso quando afirma: “Todos os cristãos são, pois, chamados e obrigados a tender à santidade e perfeição do próprio estado”(LG, nº 42).

A exortação apostólica Christifideles laici diz que “a vocação à santidade” é a “perfeição da caridade”, ou seja, o amor a Deus em plenitude, amando-O e amando também o próximo. Diz ainda que “todos na Igreja, precisamente porque são seus membros, recebem e, por conseguinte, partilham a comum vocação à santidade” (CL, nº 16).

Não se pode perder de vista que o Senhor foi preparar uma morada na eternidade para seus seguidores (cf. João 14, 2s). Tão pouco, deixar de recordar as palavras de Paulo ao dizer que "nós, porém, somos cidadãos dos céus" (Fl 3, 20a), porque santidade é este destino: à Pátria Celeste.

Compreendendo que todos são chamados a viver a santidade, entende-se o Evangelho proposto para esta festividade: As bem-aventuranças (Mateus 5, 3-12). Todos podem alcançar o grau da santidade se, empenhando-se no perfeito amor e na justiça evangélica, suportarem as perseguições e tribulações deste mundo para glorificar Cristo em sua própria vida. Os santos tem cravado em seus corações estas palavras de Jesus.

Ele foi bem claro ao afirmar que “os de coração pobre”, “os que choram”, “os mansos”, “os que tem fome e sede justiça”, “os misericordiosos”, “os puros de coração”, “os pacíficos”, “os perseguidos”, “os caluniados por causa de meus nome” são "felizes" e devem alegrar-se e exultar,pois receberam uma grande recompensa nos céus. Empenhar-se em viver as bem-aventuranças é um dos principais ensinamentos de Jesus  para ser santo.

Há papas, bispos e sacerdotes santos. Existem vários religiosos e religiosas. Mas há tantos outros de “vida normal”, pais e mães de família, jovens e crianças,que,dispostos a combater o pecado em sua vida ordinária,viveram de forma extraordinária a mensagem do Evangelho, seja em casa, no trabalho, na vida acadêmica; ou suportantando as tribulações da doença, dos sofrimentos; ou ainda, lutando por justas causas e por isso perderam sua vida. Estes todos, por se empenharem na santidade, alcançaram o céu. O que desejar senão que a humanidade inteira alcance esta graça.

A exortação de João Paulo II, afirma ainda que a “santidade comporta que a vida segundo o Espírito se exprime de forma peculiar na sua inserção nas realidades temporais e na sua participação nas actividades terrenas“ (CL, nº 17), sem dúvida, para os tempos de hoje, o Senhor concedeu um ótimo instrumento para a santificação do Seu povo: o batismo no Espírito Santo.

A experiência de Pentecostes agindo no coração de homens e mulheres na Igreja neste tempo tem gerado santos e santas do cotidiano, pois é o Espírito de Deus que santifica. Quanto mais alguém vive no Espírito, mas santificado por Ele é. Quanto mais se vive a santidade, mais próximo se está da Pátria Celeste.

 

Jefferson Souza

Grupo de Oração Ágape

Diocese de Macapá (AP)


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