Rede de Intercessão Abril - O crescimento espiritual do intercessor: a vida de santidade!

altQuerido intercessor: o Ministério de Intercessão da RCC do Brasil está trabalhando o seu Plano de Ação 2014-2015. Uma das realidades nele presente é a necessidade de o intercessor ser pastoreado para que seja formado em todas as dimensões da sua vida. Uma dimensão importantíssima a ser cuidada é a espiritual: precisamos crescer na vida espiritual, avançar na maturidade cristã, progredir na santidade! É sobre isto que quero refletir com você neste artigo, para crescermos juntos!

Quando falamos de crescimento espiritual, uma primeira verdade a ser lembrada é a nossa vocação à Santidade. A Palavra nos diz: “Deus nos escolheu [...] para sermos santos [...], no amor” (Ef 1,4). E ainda: “esta é a vontade de Deus, a vossa santificação” (1Ts 4,3); O próprio Deus nos ordenou: “Sede santos, por que eu sou santo” (Lv11,44; Cf. tb. 1Pd 1,16). E Jesus determinou: “Sede perfeitos, assim como vosso Pai celeste é perfeito” (Mt 5,48). Alcançar a santidade é alcançar a perfeição do Amor! E a medida é o próprio Deus. O ponto máximo do crescimento espiritual é estarmos “repletos da plenitude de Deus” (Ef 3,19), que “é Amor” (1Jo 4,8); a meta é alcançarmos a “plenitude de Cristo” (Ef 4,13).

Simplificando, podemos dizer que a Santidade é a configuração do nosso coração ao coração de Cristo. Uma pessoa está no caminho de santidade quanto mais o seu coração se vai conformando com o de Cristo, a ponto de chegar ao estado de perfeição em que chegou São Paulo quando disse: “Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim” (Gl 2,20). Mas, como é o coração de Cristo? É um coração ardente de amor-caridade. Ele viveu aquilo que todos nós somos chamados a viver: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração e com toda a tua alma, com toda a tua força e com todo o teu entendimento; e o teu próximo como a ti mesmo” (Lc10,27. Cf. Dt6,5; Lv19,18). Será que podemos dizer isto de nós mesmos no estágio em que estamos em nossa vida espiritual? É Cristo que verdadeiramente vive e ama em nós, em cada instante de nossa vida? Amamos a Deus com esse amor intenso? E ao próximo?

Se fizermos um sincero exame de consciência, veremos que ainda não! Possivelmente iremos nos deparar com realidades nas quais ainda padecemos em nossa vida cristã: pecados (mortais e veniais), dificuldades em nossa união a Deus através da oração (sensação de fracasso, de desânimo; cansaço, superficialidade, inconstâncias...), sentimentos e atitudes de orgulho, de vaidade, de soberba; desordens interiores, apegos, dificuldades no relacionamento com os irmãos (ira, ressentimentos, impaciência, ciúmes, divisões...); infidelidades no nosso ministério; e tantas outras realidades que possamos viver e com as quais sofremos. Enfim, veremos que ainda falta santidade em nós, falta amor! Com isto, muitas vezes somos tentados a desistir de tudo! No entanto, o Espírito Santo continua a ressoar em nossos corações: “Sede Santos”, “sede perfeitos”.

Há este desejo em nosso coração! Há esta sede em nossa alma! Mas, como alcançar isto? Como progredir no amor até alcançar a perfeição a que chegaram os santos? Como atingir a nossa meta? Antes ainda: isto é possível? Respondo a você com convicção: sim, é possível! A tradição espiritual da Igreja e os Santos nos ensinam que é possível e nos mostram o caminho para alcançarmos a perfeição, a santidade.

A Igreja tem claro que a santidade não é um comportamento certinho que podemos ter, mas é a nossa participação na vida divina pela progressiva união à Santíssima Trindade; é participar do Amor de Deus. A santidade é o Amor Perfeito de Deus atuando em nós! É chegar a amar Deus com o mesmo amor com que somos amados por Ele. E, não amaremos se Deus não nos der o Amor, que é o próprio Espirito Santo: “O amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espirito Santo que nos foi dado” (Rm 5,5).

Outro dado importante que os Santos nos ensinam, é que a vida espiritual passa por três fases: a primeira fase é a dos iniciantes; a segunda é a fase dos avançados; e a terceira e última, a fase dos perfeitos. Além disto, nos ensinam que a passagem de uma fase para a outra se faz através de uma conversão.Enfrentamos dilemas, crises, consolações e desapegos. São as purificações necessárias em nossa alma para que o próprio Amor Perfeito de Deus possa atuar em nós. Passamos, então, por trêsconversões.

Descrevendo de forma bem simples: os principiantes são aqueles que, depois de um generoso caminho de esforço na oração e na penitência, colaborando com a Graça de Deus, chegam a amar a Deus de forma a não mais cometer o pecado mortal; os avançados são os que, além de praticamente não pecar mortalmente, alcançam a graça de amar Deus de forma a evitar inclusive os pecados veniais. E os perfeitos são aqueles que chegaram a uma união tal a Deus, uma configuração maravilhosa com o coração amoroso de Cristo que amam Deus e os irmãos com o mesmo amor com que são por Ele amados, e vivem todo o tempo em Sua presença, numa espécie de “matrimônio espiritual”. E o mais maravilhoso em todo esse caminho é ver a ação de Deus: é Ele que vai fazendo a pessoa progredir, purificando-lhe a alma e doando a ela, progressivamente, o seu Amor Perfeito.

Entender todo este processo é muito importante para nós. Gostaria, porém, de me deter na primeira fase, a dos iniciantes; a fase em que provavelmente eu e você estamos.

Primeiramente, saibamos o que é a “primeira conversão”: é a passagem do estado de pecado para o estado da graça. Acontece pelo chamado de Cristo. Lembremo-nos de quando Deus tomou a iniciativa e chamou-nos, como a Pedro: “segui-me e vos farei pescadores de homens” (Mc 1,17). Deus nos visitou e nos fez renascer. A graça nos alcançou e passamos a amar a Jesus de uma forma nova. Fomos separando-nos progressivamente do espírito do mundo para nos voltar a Deus. Passamos a lutar contra o pecado mortal, a rezar, a conhecer mais a Deus e a nossa miséria, a servir a Cristo e aos irmãos. Com esta graça, os principiantes passam a travar uma generosa luta para purificar-se de suas impurezas e fraquezas no amor. E, de acordo com a generosidade nesta batalha, os principiantes recebem, como recompensa, consolações sensíveis na oração e no estudo das coisas divinas. Quantas consolações de amor o Senhor nos foi dando. Como foi – ou é ainda – fácil “sentir” Deus em nossa alma, nos momentos de oração, de leitura das Sagradas Escrituras... Creio que você consiga enxergar isto em sua vida! Porém, o amor do iniciante, ainda não é um amor puro e perfeito. O principiante generoso já ama a Deus “de todo o coração”, mas ainda não de toda alma ou com todas as forças, nem de todo o seu entendimento. Ainda é como uma criança em Cristo (cf. 1Cor 3,2). Ainda é um amor que tem muito egoísmo; enche-se por vezes de orgulho, mesmo que inconsciente quando alcança sucesso em uma missão, por exemplo. Vê em si a vaidade quando utiliza os dons e carismas que recebe do Espírito Santo. Por outro lado, começa a ter dificuldades com os irmãos nos seus relacionamentos... É, então, que Deus toma mais uma vez a iniciativa, para poder purificar esta alma, para fazê-la amar mais perfeitamente, para que progrida no amor, passando para a fase dos avançados.

É necessária uma segunda conversão. E como Deus faz isto? Do que se trata? É aquela conversão descrita por São João da Cruz e denominada de purificação passiva dos sentidos, “comum ao maior número de principiantes” (Noite Escura, I, cap. 8). Esta purificação acontece através de uma aridez na alma, na vida espiritual. Segundo o Catecismo da Igreja Católica, a aridez “acontece na oração, quando o coração está desanimado, sem gosto com relação aos pensamentos, às lembranças e aos sentimentos, mesmos espirituais” (2.731). Então, o principiante não experimenta mais as consolações sensíveis em que antes muito se comprazia. Talvez, muitos de nós estejamos vivendo isto. Parece que tudo ficou meio pesado. A alma está seca, árida... Além disto, não é raro que apareçam outras dificuldades purificadoras, por exemplo, no estudo das coisas de Deus, no exercício dos deveres do ministério, no relacionamento com as pessoas, especialmente aquelas em que se tinha um demasiado apego – às vezes o Senhor as afasta dolorosa e repentinamente. Podem surgir, também, fortes tentações na área da sexualidade. Quantos irmãos, sem entender isto e sem lutar, sucumbiram e abandonaram o ministério e o próprio Senhor; sente-se, também com frequência, uma impaciência com os irmãos.

O que dizer de tudo isto? Primeiro: não se assuste! Não ceda à tentação de abandonar o ministério, ou o seu itinerário espiritual. Tudo isto faz parte deste necessário caminho de purificação do amor. Tudo isto mostra o quanto ainda não amamos com o Amor divino.

Mas, como reagir? No que diz respeito à “noite escura dos sentidos”, ou seja, à aridez, primeiramente você precisa ver se esta aridez é mesmo enviada pelo Senhor ou é consequência de uma situação de pecado. Neste caso, “[...] o combate deve ir na linha da conversão” (Catecismo da Igreja Católica, 2731). A solução é passar por um verdadeiro arrependimento – suplicar isto ao Espírito Santo – e buscar a confissão sacramental para voltar à união com Deus. A aridez pode ter, também, uma causa física, ou seja, como resultado de estresse e de ativismo, ou de uma doença. Neste caso, trate destas causas: tome remédio, cuide da saúde, diminua o ritmo de atividades descansando um pouco mais. O corpo precisa te ajudar. Ajude-o nisto.  A aridez pode acontecer, ainda, por causa da tibieza, ou seja, aquela preguiça espiritual, aquela frouxidão, que leva a pessoa à falta de ardor ao Senhor. O remédio é ser mais generoso no serviço a Deus, e não pensar em desistir dele.

E, quais os sinais que indicam que se trata daquela aridez permitida pelo Senhor? Primeiramente, esta aridez é um tanto prolongada. Por um bom tempo não se experimenta os consolos na alma, conforme dito acima. Segundo, é que, porém, permanece na alma um desejo vivo de Deus – “Eu quero Deus” –, e o temor de O ofender. É preciso, então, ter visão sobrenatural e perceber que não se trata de um distanciamento de Deus, nem de um fracasso, mas de um momento de graça no seu crescimento espiritual. O que fazer então? Primeira coisa: aceite esta falta de consolação permitida pelo Senhor. Diga “sim” a ela. Depois, tenha uma atitude de humildade diante do Senhor. Reconheça sua pequenez diante Dele e o fato de que você não merece qualquer consolação. Reconheça a grande bondade e misericórdia de Deus. Fique firme! Não desista do seu caminho espiritual! Receba este momento com fé e confiança em Deus, o Divino Pedagogo. O Catecismo diz que este “é o momento da fé pura que se mantem fielmente com Jesus na agonia e no túmulo. ‘Se o grão de trigo que cai na terra morrer, produzirá fruto’ (Jo 12,24)” (2.731). Esta é a outra postura no momento da aridez: unir-se a Jesus no Horto das Oliveiras. Sofrer com Ele a angústia e com Ele suportá-la. Então, seja fiel, abrace a Cruz! Ame ao Senhor! Seja generoso! Este é o remédio para a aridez. Aumente seu tempo de oração; vá rezar mesmo sem aquele gosto sensível na sua alma, mesmo sem querer. Isto torna este momento muito mais precioso aos olhos de Deus do que outras orações feitas em momentos de consolação. E aumente também seu tempo de dedicação às coisas de Deus. Sirva-O no seu ministério mesmo sem que você sinta consolo sensível para tal. Entregue sua vida em sacrifício de amor. A grande Santa Tereza D’Avila nos diz: “Talvez nem saibamos o que é amar, o que não me espanta. Não consiste o amor em ser favorecido de consolações. Consiste, sim, numa total determinação e desejo de contentar a Deus em tudo, em procurar, o quanto pudermos, não ofendê-lo” (Castelo Interior ou Moradas, Quartas Moradas, capítulo 1, n. 7.). Eis o que é o amor: não um sentimento, mas uma determinação em contentar a Deus em tudo!

Caro irmão: se formos generosos na oração, na penitência, e nas mortificações; se formos fiéis a Ele abraçando a nossa cruz do dia-a-dia, tudo por amor, tudo com uma determinação de agradá-lo, nós iremos alcançar dEle a graça santificante que nos fará amar mais perfeitamente a Ele, e, neste Amor, amar nossos irmãos. Estaremos adentrando na fase dos avançados na vida espiritual.

Caminhemos, então, de forma humilde e confiante! Avancemos de forma generosa, amando de volta o Amor, pela oração e pela penitência. Progridamos suplicando a Deus o Amor, pois “O amor vem de Deus” (1Jo 4,7a). Supliquemos insistentemente a graça de amá-Lo com o mesmo Amor que Ele nos ama, ou seja, com o próprio Espírito Santo, fogo ardente que abrasa as almas que a Ele se entregam. Assim seja!

Padre Reginaldo de Souza Oliveira

Sacerdote da Arquidiocese de Cuiabá e Assessor Eclesiástico da RCC MT

Núcleo Nacional do Ministério de Intercessão

 

INTENÇÕES PARA ESTE MÊS

1.    Para que cesse a violência no Brasil e no mundo.

2.    Pelas eleições para deputados, governadores e presidente no Brasil em outubro.

3.    Pelo Encontro Nacional de Cura e Libertação para mandatários católicos nos dias 24 a 26 de abril em Brasília.

4.    Pelo Encontro Nacional de Formação para coordenadores diocesanos que acontecerá em Brasília nos dias 01 a 04 de maio de 2014.

5.    Pelo encontro Nacional de Intercessão Profética que acontecerá em Aparecida/SP nos dias 25 a 28 de setembro de 2014.

6.    Pela Reunião de Oração do seu Grupo de Oração (pelo pregador, dirigente, músicos e demais servos e pelas pessoas que participam da Reunião de Oração).

7.    Pelos Grupos de Oração na sua Diocese, no seu Estado e no Brasil.

8.    Pelos Ministérios da RCC no seu Grupo de Oração, Diocese, Estado e no Brasil.

9.    Pelas necessidades espirituais e financeiras dos escritórios diocesano, estadual e nacional da RCC.

10.  Pelos projetos da RCC na Diocese, no Estado, no Brasil na América Latina e no Mundo.

11.  Pelos eventos de evangelização da RCC no seu Grupo de Oração, na sua Diocese, no seu Estado e no Brasil.

12.  Pela Reunião dos Conselhos Diocesano, Estadual e Nacional neste ano.

13.  Pelas coordenações do seu Grupo de Oração, da RCC na sua Diocese, no seu Estado e no Brasil (Coordenadora Nacional: Katia Roldi Zavaris e sua família).

14.  Pela Santa Igreja, pelo Santo Padre, o Papa Francisco, pelo seu Bispo diocesano, pelos Sacerdotes, Diáconos, Religiosos e Religiosas e pelos Seminaristas.

15.  Pelas casas de missão da RCCBRASIL e pelos missionários e missionárias.

16.  Pela construção da Sede Nacional da RCC do Brasil e pelos seus colaboradores.

17.  Para que todos os membros da RCC do Brasil se abram para a moção da Reconstrução.


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