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Publicado no dia 28/05/2007 | 00:00:00

Movimento da Renovação Carismática cresce e já reúne 12 milhões de católicos no Brasil

Religião
No ritmo do papa

Ullisses Campbell
Da equipe do Correio

Movimento da Renovação Carismática cresce e já reúne 12 milhões de católicos no Brasil. Grupo já atua em 238 países, congrega 100 milhões de fiéis e é responsável pela maioria das ordenações sacerdotais

No início, eles eram renegados pelos setores mais conservadores da Igreja Católica. Num passado recente, explodiram em popularidade e chamaram a atenção do país inteiro por conta de seu maior expoente, o padre Marcelo Rossi, de São Paulo. Invadiram rádios e redes de televisão. Atualmente, os jovens da Renovação Carismática Católica (RCC) são apontados como um trunfo da igreja para reconquistar os fiéis que migraram para religiões pentecostais.

Em 2005, em um dos seus últimos pronunciamentos públicos, o papa João Paulo II, se referiu aos carismáticos como o “futuro da Igreja Católica”. Para especialistas, é o segmento da igreja propício para evangelizar num mundo dinâmico como o de hoje. “Os carismáticos são sedutores na evangelização porque cantam, dançam e levam a palavra de Deus com mais empolgação. São fundamentais num mundo cercado de modernidade, como internet e tevê a cabo”, ressalta o teólogo Roberto Santa Rosa, da Universidade do Rio de Janeiro (UFRJ).

Segundo estatísticas mais recentes, os carismáticos somam 12 milhões no Brasil, cerca de 8% de todos os católicos. Os grupos se multiplicam principalmente em universidades, órgãos públicos e clubes de recreação. Atualmente, há 657 grupos de orações formados por estudantes universitários em todo o país, sendo 16 em Brasília. Cada um congrega entre 15 e 20 membros.

A Renovação Carismática Católica surgiu na segunda metade da década de 60. Tudo começou com o concílio do Vaticano II, quando se iniciou um processo de renovação da espiritualidade, liturgia, catequese e propostas sociais no catolicismo. O movimento teve origem em experiências de jovens universitários norte-americanos durante um retiro de fim de semana na universidade de Duquesne, na cidade de Pittsburgh (Pennsylvania) , em fevereiro de 1967 e, rapidamente, se espalhou por todo o mundo. “O objetivo do movimento é evangelizar, enfatizando as redescobertas das emoções na relação com o sagrado”, explica Cândido Collares, do grupo de carismáticos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Semelhanças
Além dos dons do Espírito Santo, nas reuniões dos carismáticos, valoriza-se a cura e a capacidade de orar em línguas desconhecidas. Com eles, ganhou força nos meios de comunicação o fenômeno dos padres cantores, como Marcelo Rossi. “A semelhança dos carismáticos com os evangélicos levaram os setores mais conservadores da igreja a torcerem o nariz para o movimento”, diz o teólogo Ronald Magalhães, da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro.

Enquanto a religião perdeu fiéis na década de 1990, o movimento ganhou adeptos e respeito dentro e fora da instituição. James Silva, 27 anos, engenheiro civil e doutorando da Universidade de Brasília (UnB), não pertencia a nenhuma religião. Ao visitar uma reunião dos carismáticos, empolgou-se e nunca mais saiu. Ele conta que hoje é casto por conta de religião.

Oposição
Apesar da importância dentro do catolicismo, os carismáticos ainda são vítimas de preconceitos na instituição. “Queria estagiar numa das pastorais e disseram que eu não fui aprovada porque fazia parte da renovação”, lamenta Helen Fernanda Martins, 25 anos, que é radicalmente contra o aborto e o uso de preservativos.

Na Igreja Católica, a rixa existente entre carismáticos e a ala mais tradicional ocorre por conta de “um certo medo”, explica Maria Auxiliadora Barbosa, secretária-geral do Conselho Arquidiocesano e carismática fervorosa. “Somos apenas diferentes. Mas é natural que as pessoas tenham um certo medo do novo”, diz.

Para dom Luiz Rezende, os carismáticos são importantes na evangelização. Mas ele faz a seguinte ressalva: “Os cultos dos carismáticos se assemelhavam exageradamente aos dos pentecostais protestantes. Outra coisa: ao se relacionarem diretamente com o Espírito Santo, correm o risco de concluir que não necessitam de padres nem da estrutura hierárquica da Igreja”.

Segundo o sociólogo Pedro Campos, da Universidade de Campinas (Unicamp), a relação dos carismáticos com a CNBB resultou em características próprias do movimento no Brasil. “Há forte ênfase na presença da Virgem Maria nas celebrações e na total obediência ao papa. O culto mariano tem um papel central entre os carismáticos daqui”, explica. Uma das vozes que se ergueram a favor dos carismáticos na CNBB foi a de dom Paulo Evaristo Arns, ex-arcebispo de São Paulo e o maior articulador das comunidades eclesiais de base (CEB) no país. Em suas memórias, ele admitiu que defendeu a renovação carismática como movimento legítimo de espiritualidade.

O IMPACTO
Segundo a Igreja 8% de todos os católicos brasileiros são carismáticos

"O objetivo do movimento é evangelizar, enfatizando as redescobertas das emoções na relação com o sagrado. Os cultos são fervorosos, animados por cantos e danças, em louvor ao Espírito Santo…" Cândido Collares, do grupo de carismáticos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).



Sopro de ânimo e inspiração

Nas duas últimas décadas, 100 milhões de carismáticos em 238 países deram um sopro de ânimo na Igreja Católica. Eles revalorizaram as emoções na relação com o sagrado, animaram os cultos com cantos e danças, revigoraram a crença em curas, puseram em primeiro plano o fervor no Espírito Santo e invadiram a mídia. Até agora, as organizações de inspiração carismática possuem três redes de TV e 50 estações de rádios.Para a socióloga Regina Passos, da Universidade de Brasília, se não fosse pelos carismáticos, a debandada de católicos para outras religiões teria sido bem maior na década de 1990. “Os carismáticos também contribuíram para estancar o processo de esvaziamento dos seminários. A incidência de vocações sacerdotais no país tem sido maior em áreas onde os grupos de oração são mais fortes”, avalia Carmem.

Segundo o sociólogo Jung Mo Sung, da Universidade Metodista de São Paulo, embora os carismáticos sejam tradicionais do ponto de vista da fé e da doutrina da igreja, eles trouxeram novidades na área litúrgica, que atraíram os jovens. “As concepções deles a respeito do corpo são mais flexíveis que as de outros grupos de inspiração tradicionalista, como a organização Opus Dei. Em seus cultos, eles põem o corpo em movimento e valorizam o uso da música”, ressalta o sociólogo.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) emitiu recomendações que disciplinam práticas místicas da Renovação Carismática. Uma delas é evitar a prática do “repouso no espírito”, um ato no qual as pessoas parecem desmaiar durante os momentos de oração, mas permanecem conscientes do que ocorre em sua volta. Outra recomendação é que não se tenha preocupações exageradas com demônio.

Os críticos mais ferrenhos da Renovação Carismática alegam que o movimento fomenta uma histeria coletiva, além de fazer uma leitura literal e fundamentalista da bíblia. Os opositores criticam os relatos de membros do movimento, que contam experiências místicas, como visões ou profecias com mensagens divinas, além de sentirem a presença de Maria. E são contrários também às sessões de curas e milagres. (UC)


Editora: Ana Paula Macedo-- ana.paula@correiowe b.com.br
Subeditor: Olimpio Cruz
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Tels. 3214-1172





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