Neste dia 25 de agosto, a Igreja celebra a memória litúrgica daquela que tece a vida marcada por uma profunda intimidade com Deus e por uma relação muito particular com o Espírito Santo: Santa Maria de Jesus Crucificado, conhecida também como Santa Miriam ou “Pequena Nada de Deus”. 

Nascida em Abellin, na Galileia, em 1846, em uma família católica do rito greco-melquita, Miriam ficou órfã ainda criança e foi criada por tios no Egito. Desde cedo, sua vida foi marcada pela fé e por experiências que apontavam para uma vocação de entrega a Deus. 

Ainda adolescente, recusou um casamento arranjado. A decisão provocou conflitos e, aos 12 anos, Miriam sofreu uma tentativa de assassinato por não aceitar abandonar a fé cristã. Ferida gravemente na garganta e deixada para morrer, viveu aquilo que descreveu posteriormente como uma experiência de socorro da Virgem Maria.  

Em 1867, ingressou no Carmelo de Pau, na França, onde recebeu o nome de Maria de Jesus Crucificado. Dois anos depois, foi enviada para participar da fundação do Carmelo de Mangalore, na Índia, onde fez sua profissão religiosa em 1870. Mais tarde, retornou à França e, em 1875, seguiu para a Terra Santa, onde participou da fundação do Carmelo de Belém e esteve envolvida no projeto de um novo mosteiro em Nazaré. 

Uma vida marcada pelo Espírito Santo 

Quem conheceu Santa Miriam se deparou com uma religiosa de profunda humildade, simplicidade e vida de oração. Com uma vida voltada para a fé, ela trabalhava, servia, enfrentava dificuldades e, ao mesmo tempo, permanecia profundamente unida a Deus. 

Em sua caminhada, foram relatados diversos fenômenos místicos: êxtases durante a oração, estigmas, levitações, bilocação, além de experiências relacionadas aos dons de profecia, discernimento e palavra de ciência. Mas, o que realmente impressionava sobre sua vida, era a forma como Miriam se colocava diante de Deus: pequena, disponível e inteiramente dependente d’Ele. 

“Vem, Espírito Santo!” era uma oração que repetia constantemente. Para Miriam, deixar-se conduzir pelo Espírito significava permitir que Deus realizasse Sua obra, sem buscar para si reconhecimento. 

Por isso, ela gostava de se chamar de “nadinha de Deus”. Expressão que revela muito de sua espiritualidade, já que desejava desaparecer para que Deus aparecesse. Seus dons, sua oração, seu trabalho e até os acontecimentos extraordinários de sua vida deveriam apontar para o Senhor. 

A tradição carmelita destaca justamente essa característica: entre os muitos dons sobrenaturais atribuídos à santa, sobressaíam sua humildade, sua devoção ao Espírito Santo e seu amor à Igreja e ao Papa. 

Um coração carismático 

Santa Miriam pode ser lembrada como uma mulher verdadeiramente carismática, não apenas pelos fenômenos extraordinários de sua vida, mas, sobretudo, por sua docilidade ao Espírito Santo. 

Sua história recorda que os dons recebidos de Deus não existem para alimentar a vaidade pessoal. Eles são graças para servir, discernir, consolar, encorajar e conduzir outras pessoas para mais perto do Senhor. 

Em Miriam, a pequenez não significou passividade. Ela se reconhecia pequena, mas estava disponível para grandes coisas. Seu coração enamorado de Deus a levou a servir, a trabalhar, a fundar comunidades e a entregar a própria vida pela missão que havia recebido. 

É esse talvez o aspecto mais bonito de sua história para quem vive a espiritualidade carismática: antes de qualquer dom extraordinário, existe uma pessoa que aprendeu a dizer “SIM” ao Espírito Santo. 

Santa Miriam de Jesus Crucificado nos ensina a pedir essa mesma docilidade. A deixar que o Espírito conduza nossos passos, nossas escolhas e nosso serviço. E, como ela, a reconhecer que tudo o que há de bom em nós é obra de Deus. 

Santa Miriam, a “Pequena Nada” do Espírito Santo, rogai por nós! 

 

Oração de Santa Miriam

“Espírito Santo, inspirai-me; 

Amor de Deus, consumi-me; 
Ao verdadeiro caminho, conduzi-me; 
Maria, minha Mãe, olhai para mim; 
Com Jesus, abençoai-me; 
De todo mal, de toda ilusão, 
de todo perigo, preservai-me!”