Na manhã da Ressurreição, o Espírito Santo renova a alegria pascal

 

Cristo Ressuscitou realmente, Aleluia!

Na manhã de um domingo de Páscoa, quando se escuta essa expressão, é possível imaginar aquela bela imagem do Salmo 18 que diz: “Deus armou para o sol uma tenda. E este, qual esposo sai do seu leito nupcial, exulta, como um gigante, a percorrer seu caminho.” (Sl 18, 5-6).

Tudo fala de Cristo! Ele é o Sol que não tem ocaso, Ele é o esposo, Ele é como um gigante, pois venceu aquela que até então parecia invencível – a morte. Mesmo se fazendo pequeno na manjedoura, o Filho de Deus que se humilhou até a morte de Cruz (cf. Fl 2, 8), na manhã gloriosa do oitavo dia se levanta como um gigante: Ele ressuscitou! Nós que somos incorporados à Sua vida pelos Sacramentos de Iniciação Cristã, nos renovamos n’Ele. Tudo se faz novo! O domingo inaugura uma nova criação, e com ela, novo sentido à vida.

A centralidade de Cristo mais uma vez dita a marcha da vida, dos seus discípulos, de todas as criaturas, do cosmos: “Tudo foi criado por Ele e para Ele. É antes de tudo e tudo n’Ele subsiste” (Cl 1, 16b-17). Mas resta-nos uma pergunta: Onde está o Espírito Santo no mistério da Páscoa? Na teologia de São João, o dia da vinda do Espírito Santo está ligado ao próprio dia da ressurreição. É no domingo pascal que Jesus aparece vivo, estando as portas fechadas, sopra sobre eles e diz: “Recebei o Espírito Santo” (Jo 20, 22b). Essa perspectiva não contradiz o relato de Pentecostes (cf. At 2), mas o aprofunda no mistério pascal.

O missal romano traz uma oração (Oração Eucarística IV, inspirada na anáfora de São Basílio) que nos aponta o Espírito Santo atrelado ao mistério da Páscoa, pois Ele é o “primeiro dom aos fiéis” a partir da morte e ressurreição de Cristo. A partir disso, se entende que na noite da última ceia, várias vezes Jesus citava o Espírito Santo como promessa. Ao abrir o Tríduo Pascal, já prometia o “presente-dom” para quem o acompanhasse nesse itinerário de paixão, morte e ressurreição.

Se o Espírito Santo nos ensinará todas as coisas (cf. Jo 14, 26), e se é somente por Ele que podemos dizer que Jesus é Senhor (cf. 1Cor 12, 3), a alegria pascal, depois de dois milênios, pode ser renovada na manhã de domingo. Isto é graças à força do Espírito Santo que “continua sua obra no mundo para levar à plenitude toda a santificação” (OE IV). Ele é responsável de atualizar no “aqui e agora” da nossa história o júbilo pascal que é fruto da libertação lograda em Cristo. É no Espírito Santo que cantaremos o canto dos que foram salvos, por meio d’Ele é que será possível cantar um grande e poderoso ALELUIA!

 

Padre Bruno de Almeida

Coordenador do Ministério para Ministros Ordenados