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A vida comunitária em nossos Grupos de Oração

A vida comunitária em nossos Grupos de Oração

Os Grupos de Oração trazem em sua essência a vida comunitária. Logicamente, só haveria um “grupo” para oração, se houver dois ou mais irmãos. Inclusive, esta  foi uma das condições ditas por Jesus para que Sua presença se derramasse em meio ao Seu povo. “Onde dois ou mais estiverem reunidos em meu nome, eu estarei no meio deles” (Mt, 18,20).  

Porém, é possível que a participação em um Grupo de Oração não seja precedido de uma intensa vida comunitária, mas ao contrário. O participante pode frequentar as Reuniões de Oração, ir e vir, mas não abrir-se a partilha e a comunhão. Permanecer no seu mundo, sem deixar-se tocar pela caridade, fruto do Espírito Santo. 

Para entender no que consiste a vida comunitária dos nossos Grupos de Oração, recorreremos a alguns trechos do Livro Eu vos constituí sentinelas da Casa de Israel, do atual presidente do Conselho Nacional da RCCBRASIL, Vinícius Simões. 

Pentecostes, fonte da vida comunitária

Nos primeiros versículos do livro dos Atos dos Apóstolos, Lucas deixa claro que após a ascensão do Senhor, os discípulos junto a Virgem  Maria, se colocaram em oração, unidos, a espera do cumprimento da promessa de Deus, o Espírito Santo.

Algo interessante é que na preparação para Pentecostes, os apóstolos oravam em unidade. Então, receberam o Espírito Santo juntos, e depois do acontecimento mantiveram profundos laços de amor e união, a Igreja.

Portanto, podemos dizer que a fonte da vida comunitária da Igreja é Pentecostes. Lugar do derramamento do Espírito, o amor do Pai e do Filho, fonte da caridade. Como afirma Vinícius, “o Espírito Santo deve gerar em nossos Grupos esse ambiente de amor, de misericórdia, de acolhimento, de pastoreio efetivo e de conhecimento mútuo.” 

Não pode haver verdadeira experiência com o Espírito Santo que não culmine na entrega ao próximo. Logo, na VIDA COMUNITÁRIA. 

Por sua vez,  o livro dos Atos dos Apóstolos registra: “A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma. Ninguém dizia que eram suas as coisas que possuía, mas tudo entre eles era comum” (At 4,32). Esta deve ser a postura de comunidade que nossos Grupos precisam adotar, continuamente. Fazer desta célula da RCCBRASIL, “lugar de acolhimento, é oásis de misericórdia, é lugar onde o amor deve fluir” (Livro Eu vos constituí sentinelas da Casa de Israel, p. 47). 

Características de comunhão no Grupo de Oração 

Os registros da vida em comunidade dos primeiros cristãos atestam algumas características fundamentais, profundamente evangélicas, e concretas na vida dos apóstolos. Estas podem ser utilizadas como balizadores da comunhão que vivemos em nossos Grupos. 

“Perseveravam eles na doutrina dos apóstolos, nas reuniões em comum, na fração do pão e nas orações. De todos eles se apoderou o temor, pois pelos apóstolos foram feitos também muitos prodígios e milagres em Jerusalém, e o temor estava em todos os corações. Todos os fiéis viviam unidos e tinham tudo em comum. Vendiam as suas propriedades e os seus bens, e dividiam-nos por todos, segundo a necessidade de cada um. Unidos de coração, frequentavam todos os dias o templo. Partiam o pão nas casas e tomavam a comida com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus e cativando a simpatia de todo o povo. E o Senhor cada dia lhes ajuntava outros, que estavam a caminho da salvação” (At 2,42ss). 

1. Comunhão com a Igreja: Em diversos trechos dos Atos dos Apóstolos, fica claro a unidade de coração e de alma da comunidade primitiva. A perseverança na doutrina dos apóstolos deixa isso evidente quando, ao vender suas posses, deixavam aos seus pés, a fim de distribuir entre os que não possuíam. 

A submissão à vida da Igreja é um sinal da atuação do Espírito Santo em meio a comunidade. Em cada Grupo de Oração, os coordenadores devem estar atentos para manter a comunhão com as autoridades eclesiais e seus coordenadores. 

Como alerta Santa Teresa D’Ávila: “a obediência é uma couraça protetora”. 

2. Oração comunitária frequente:  Anteriormente, ressaltamos que a oração comunitária está presente em Pentecostes, antes, durante e depois. Não se trata somente de presença nas Reuniões de Oração. 

Além disso, é preciso uma união de preces no coração dos irmãos e irmãs participantes. Intercessão uns pelos outros, pela evangelização, pelo Movimento. Promover vigílias, momentos de espiritualidade e piedade marianas, estudo bíblico em comum. Sob o auxílio do Espírito Santo, buscar inspirações que torne a união dos irmãos em orações assíduas.

3. Partilha dos bens em favor dos necessitados e da comunidade: “[…] dividiam-nos por todos, segundo a necessidade de cada um” (At 2,45). É de chamar atenção que uma das formas concretas de comunhão entre os irmãos, desde os primeiros cristãos, é a comunhão de bens. Ninguém podia passar necessidade. A comunidade se unia em vista de ser socorro da Providência de Deus para esses irmãos. 

No Grupo de Oração precisa haver um pastoreio recorrente que atualize o Núcleo acerca das necessidades dos irmãos. Se promovendo de tempos em tempos, campanhas de arrecadação, bazares, partilhas de livros e artigos religiosos, da Bíblia, entre outros. 

4. Atração de outros para o núcleo da comunidade: A comunhão autêntica, no Espírito de Deus, nunca se fecha em si mesmo. Transborda. Portanto, ao vivermos intensamente a vida comunitária é natural que mais irmãos se acheguem, e atraiam outros. 

Um ponto que precisa ser visto, quando um Grupo de Oração enfraquece sua evangelização e crescimento, é a vida em comum. Como andam as relações fraternas? As necessidades uns dos outros? A oração em comunidade? 

Portanto, somos chamados a “fazer de nossos Grupos de Oração espaços calorosos de amor incontido.”