Onde estás, ó morte?

altPor Reinaldo Beserra dos Reis

Membro permanente do Conselho Nacional


A imagem do túmulo de Jesus Cristo vazio, é que deve dar a todos os cristãos o caráter central de Sua Paixão e morte, celebradas intensamente pela liturgia católica durante toda a Semana Santa. Recordando seus sofrimentos, não devemos fixar nossa atenção apenas no aspecto “penoso” da redenção, mas alçar o coração à altura da eminente glória que está a se manifestar. Pois, durante o injusto processo que culminaria com Sua morte, embora aparentemente destruído, esmagado e derrotado. Jesus se mantém o tempo todo no controle da situação, sobrepondo-se sempre a seus adversários, e passando, gradativamente de réu a juiz...

O sacrifício que Jesus faz, livremente, de si, não pode ser visto por nós como um fim em si mesmo, mas como meio de que Ele se serve para sacramentar a redenção do gênero humano, e chegar, pela derrota da morte, à plenitude da glória... “Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está teu aguilhão? (I Cor 15,55), zomba o Apóstolo...

Talvez São Paulo não tenha tido tempo para ouvir a resposta que, em revelação, João Evangelista registra em nome do Ressuscitado, quando diz: “Eu venci, e me assentei junto a meu Pai, no seu trono” (Ap 3,21).

Sim, venceu o Leão da Tribo de Judá; venceu o Rebento de Davi, o Cordeiro Imaculado; a Vida venceu a morte, o Amor venceu o ódio, a obediência do Justo venceu o pecado e a condenação eterna... Paradoxalmente, a cruz - terrível instrumento de sofrimento e morte – transforma-se extraordinariamente em fonte inesgotável de vida verdadeira. De fator de humilhação à promotora de inimaginável dignidade.

“Ao cravar na cruz o documento escrito contra nós cujas prescrições nos condenava, Jesus aboliu-o definitivamente. Espoliou os Principados e Potestades, e os expôs ao ridículo, triunfando deles pela cruz”, proclama São Paulo (Col 2,14-15).

Através da vitória cósmica da Cruz de Cristo, os poderes do inferno são rechaçados. No poder da cruz, toda liberdade nos é oferecida e não precisamos mais viver sob nenhuma dominação, sob nenhum jugo, sob nenhuma ameaça...

Cruz, morte, ressurreição... Quando falamos a respeito dessas coisas, não podemos nos esquecer de que estamos tratando da obra redentora de Deus – um mistério divino que não pode ser percebido ou entendido apenas com o uso do nosso intelecto. Ao celebrarmos a Páscoa, peçamos com humildade ao Espírito Santo que abra nosso coração e nossa mente de modo que possamos entender melhor e experienciar – de um modo que afete nossas vidas – o mistério da morte e da ressurreição de Cristo. Este mistério que, a despeito da indiferença de muitos, transformou radicalmente a história dos homens, e fez de nossas vidas – e do mundo todo – uma “nova criação”. E cantemos com alegria, nesta Páscoa do Senhor: “ Digno é o Cordeiro imolado de receber o poder, a riqueza, a sabedoria, a força, a glória, a honra e o louvor (...) pois Ele foi imolado, resgatou para Deus, ao preço de Seu sangue, homens de toda tribo, língua, povo e raça... (Ap 5,9-12). Amém!

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Este artigo foi retirado da Revista Renovação, edição nº19 Março/Abril 2003. Cadastre-se e receba de dois em dois meses, formação, informação e direcionamentos da RCCBRASIL para você e seu Grupo de Oração.


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