Ano Paulino

Em junho, iniciaremos com toda a Igreja o “Ano Paulino”. Iremos comemorar os 2000 anos do nascimento do apóstolo Paulo. O Papa Bento XVI anunciou este jubileu há um ano atrás e concedeu graças especiais para que possamos celebrá-lo não apenas solenemente, mas com frutos para a nossa vida espiritual e, principalmente, para a vida missionária. Para nós da América Latina e Caribe que vivemos em “estado de missão” e para nossa Arquidiocese de Belém que está colocando em prática, pouco a pouco, o projeto “Belém em Missão” preparando-nos para os 400 anos do início da Evangelização aqui no portal da Amazônia, é um grande momento de graça e de grandes possibilidades de animação.

Em Paulo Apóstolo nós encontramos o resumo da cultura daquela época e região: cidadão romano, cultura hebraica e cultura grega. Foi este homem que o Senhor escolheu para ser o Apóstolo das gentes e fermentar com a sua palavra e testemunho a expansão do cristianismo até os confins do mundo então conhecidos.

Incansável em sua pregação e suas caminhadas, São Paulo é para nós hoje um grande sinal colocado para que neste nosso difícil século não tenhamos medo de enfrentar os novos areópagos que a cada dia aparecem diante de nossos olhos e nos colocam sempre a caminho de novos diálogos e novas descobertas.

Apostolo aceito e rejeitado, festejado e apedrejado, acolhido e não recebido, mas sempre com novas energias levanta-se de cada situação com novo ânimo e continua a sua pregação e testemunho.

Fica para nós o motivo do envio para o julgamento em Roma, diante do Imperador: “alegaram contra ele algumas questões atinentes à sua própria religião, e com relação a um certo Jesus, já morto, do qual Paulo afirma que está vivo” (At 25, 19). Será a experiência do encontro com Cristo que ele repetirá sempre como motivação principal de sua transformação, como o fez em sua autodefesa ante o rei Agripa (At 26). mostrando como o Senhor “o agarrou e enviou” mudando-lhe a vida e nome.

Paulo (Saulo, Saul) nasceu de pais judeus em Tarso (na atual Turquia) nos primeiros anos da era cristã. Por uma certa tradição e convenção estamos comemorando os seus 2000 anos neste ano jubilar (2008-2009). Fariseu por tradição de família, aprendeu, segundo o costume judaico, um trabalho manual ou artesanato: era tecelão. Cedo foi para Jerusalém e estudou na escola de Gamaliel, famoso rabino da época. Não conheceu Jesus histórico e nem presenciou a sua paixão e morte. Mas é certo que estava em Jerusalém pouco depois, quando Estevão foi apedrejado. Ali perseguiu violentamente os cristãos e, com o mesmo fim, dirigiu-se a Damasco com cartas que o autorizava à perseguição contra a Igreja nascente. A caminho, apareceu-lhe repentinamente Jesus, e é quando começa a sua conversão ao cristianismo (mais ou menos nos anos 34 a 36 d. C). Em Damasco recebeu o batismo. Três anos passou em lugar deserto, na Arábia. De volta a Damasco, pregou o evangelho aos judeus, que o perseguiram de morte. Fugiu para Jerusalém, onde visitou Pedro e dali foi para Tarso. Posteriormente se apresentou em Antioquia da Síria. Com Barnabé, empreendeu sua primeira viagem missionária a Chipre e às regiões da atual Turquia (45-49). Fundou diversas comunidades cristãs naquelas regiões. Numa segunda viagem a essas regiões (49-52), atingiu também a Europa, evangelizando a Grécia. Voltou a percorrer essas regiões com roteiro diferente, na terceira viagem missionária (53-58) permanecendo bom tempo nas cidades de Éfeso e de Corinto.

Na Grécia recolheu dinheiro para ajudar a igreja-mãe de Jerusalém aonde foi levá-lo, com o propósito de empreender depois uma viagem a Roma e à Espanha. Porém, os judeus promoveram em Jerusalém um motim contra ele; foi preso pela guarnição romana, ficando detido por dois anos (59-61). Apelou para César; por isso foi levado para Roma, onde passou outros dois anos de prisão moderada (61-63). Terminam aqui as indicações bíblicas diretas. Segundo o autor Clemente Romano e o Fragmento de Muratori, no ano 63 fez uma viagem à Espanha. Parece que voltou logo e de novo foi conduzido preso a Roma sendo aí decapitado talvez em 67”. (cfr. Novo Testamento da Liga de Estudos Bíblicos).

A vida desse grande evangelizador e homem de Deus, seus escritos e seu trabalho iremos estudar mais profundamente neste ano do seu jubileu, pedindo a Deus que nos ajude a ter o mesmo ânimo que lhe dirigiu a vida e disposição para estar como ele em constante estado de missão.


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