Bem-aventurada aquela que fez a vontade de Deus

A seção de Formação do portal RCCBRASIL traz, nesta e nas próximas semanas, as pregações e homilias ocorridas durante o XXIX Congresso Nacional da Renovação Carismática Católica. São momentos de grande unção e de conteúdos interessantes para nosso crescimento espiritual.

O texto desta semana é baseado na fala de dom Alberto Taveira, assessor eclesiástico da RCC, que pregou sobre a imitação de Maria para chegarmos a uma realização como pessoas e como cristãos.

Proclamação do Evangelho segundo São Mateus (Mt 12, 46-50)
Naquele tempo, enquanto Jesus estava falando às multidões, sua mãe e seus irmãos ficaram do lado de fora, procurando falar com ele. Alguém disse a Jesus: “Olha! Tua mãe e teus irmãos estão aí fora, e querem falar contigo”. Jesus perguntou àquele que tinha falado: “Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos?” E, estendendo a mão para os discípulos, Jesus disse: “Eis minha mãe e meus irmãos. Pois todo aquele que faz a vontade do meu Pai, que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe”.

Presidente da celebração da Santa Missa do terceiro dia do XXIX Congresso Nacional da Renovação Carismática Católica, Dom Alberto Taveira dedicou sua homilia a Maria. O bispo iniciou afirmando que a nossa caminhada de fé se faz para o alto e para frente, pois aquele que pára já está regredindo. Nesse sentido, a intercessão e o modelo de Nossa Senhora nos ajudam a avançar. Citando o evangelho do dia, ele disse que o texto bíblico faz o grande elogio à Virgem Maria, chamando-a de bem-aventurada por ter feito a vontade de Deus, por ter vivido profundamente a Sua Palavra.

Dom Alberto propôs uma reflexão sobre Maria como modelo de realização humana. No primeiro ponto, ele apresentou Maria revestida da Palavra de.  Maria é “a pessoa realizada” por ter se revestido da Palavra, se aberto totalmente a Deus e, num ato de liberdade, se feito escrava. Na sequência, indagou: “Qual a razão do ser gente? Você? Eu? Não, é Nosso Senhor Jesus Cristo. Somente em Cristo, eu poderei ler e entender a minha própria vida. Só Nele, que é luz do mundo, eu vou conseguir entender esse intrincado processo que é a minha própria personalidade, que é a minha história”. Nesse sentido, o Bispo afirmou que todo homem e mulher batizados precisam fazer a oblação da sua própria liberdade. É a escravidão que liberta.

 O segundo ponto apresentado por Dom Alberto de um ser como Virgem Maria foi a prática das virtudes. “O caminho das virtudes, a renúncia, a entrega, a caridade - indo à casa de Isabel, o acolhimento do anúncio da dor no tempo, a coragem, a procura, a fidelidade do cotidiano. Queridos irmãos e irmãos, cada um de nós se quer ser pessoa humana realizada e se quer ser cristão, disponha-se ao exercício da prática das virtudes. Isto significa andar contra a correnteza, significa que você não tomará a decisão pela pele, você não vai tomar as decisões por simpatia ou antipatia. Você não vai segundo o vento do momento, você não segue ventos de doutrinas peregrinas. Mas você se firma na experiência de vida cristã e trata de educar a sua vontade. Trata de educar os seus sentimentos”, afirmou Dom Alberto.

E continuou: “É necessário coragem para subir esta árdua estrada que nos é proposta por Cristo, subir o seu monte. Ser cristão não é coisa feita para gente cheia de moleza. Não vamos anunciar ao mundo um Cristianismo light, ajeitado para gente pusilâmine. Não! Algumas pessoas, até dizem assim: a Igreja poderia diminuir um pouco as suas exigências Como se Ela pudesse ser infiel ao evangelho! A estrada que o nosso Senhor percorreu é a estrada do calvário. A estrada de Maria tem no caminho uma espada de dor, que transpassa o seu coração. Assusta-me quando encontro um sacerdote que por qualquer problema quer deixar o seu ministério, como se troca de roupa. Assusta-me quando vejo casais que não aprenderam o perdão. Não aprenderam a prática da virtude. Na primeira crise matrimonial, a primeira solução que aparece é a da separação e não do perdão. E gente que não aprende a ter esse espírito de sacrifício. No alto da cruz, Nossa Senhora está de pé. Não pense que é algo demais para você, não. Porque ela se considerava pequena, uma pobre serva. No entanto, foi fiel a cada momento e, sendo fiel, ela levou adiante a missão que lhe fora confiada”.

Outro ponto da personalidade de Maria refletido durante a homilia é a condição de mãe: Mãe de Deus, Mãe da Igreja, Mãe de Cristo, Mãe de cada um de nós. Uma personalidade que se revela e que amadurece na maternidade. O bispo ressaltou a dignidade presente na geração de uma nova vida. “Assusta quando você encontra gerações de pessoas que assumiram a esterilidade como ideal”, afirmou. Nesse sentido, ele destacou também que todo o homem e a mulher se realizam quando geram vida, quando são fecundos nos seus serviços, mesmo sendo celibatários ou consagrados.

O último ponto apresentado para a reflexão é Maria mestra. Para abordar esse aspecto da personalidade de Nossa Senhora, Dom Alberto diz que Maria é mestra mesmo que a Bíblia fale apenas de sete palavras pronunciadas por ela. Contudo, o bispo afirma que quem quer caminhar na vida cristã pode ficar a vida inteira aprendendo com Nossa Senhora e aponta um caminho: “Quando você rezar ou cantar a ladainha de Nossa Senhora espelhe-se nela, nas invocações da ladainha, e faça a sua estrada. Se você for parecido com essas invocações, você já será uma personalidade íntegra como Deus quer”.

Dom Alberto finalizou explicando a segunda parte da oração da Ave Maria “Santa Maria, mãe de Deus” é o  título máximo dela; “rogai por nós pecadores, agora e na hora de nossa morte”, remete aos dois únicos momentos de certeza da vida que são o agora e hora da morte. O primeiro é para aprendermos a ser gente, ser cristão, ser fiel, lembrando que Nossa Senhora caminha conosco. E o segundo, na hora da morte, Maria estará presente acompanhando, rogando por nós.


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