Cessem as palavras, falem as obras

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Acompanhando o ciclo do ano litúrgico, chegamos a mais uma celebração da festa de todos os santos. Somos chamados a, descobrindo o valor e significado desta festa, vivê-la bem para sair da mesmice e crescer na santidade.

Interessante que na cabeça de muitos de nós católicos fiéis paira ainda uma pergunta: o que se celebra de fato nesse dia? Alguns piadistas dirão que é o dia dos homens, já que tivemos o dia das mulheres, esse corresponderia ao seu dia. Outros com um pensamento mais prático podem julgar que esse dia é para lembrar uma vez só todos os santos e santas da Igreja como num pacotão e assim não correr o risco de deixar nenhum esquecido, quase como uma festa ao santo desconhecido parodiando o altar “ao Deus desconhecido” (At 17, 23) de Atenas. Antes, essa festa, é algo ainda mais profundo: se celebra o mistério da comunhão dos santos.  Proclamamos o credo dizendo: creio na santa Igreja Católica, na comunhão dos santos. Que significa proclamar que todos nós redimidos por Cristo, com os que nos precederam na fé, formamos uma comunhão uma unidade, o corpo glorificado de Cristo.

Se estamos na comunhão dos santos como ela nos afeta, como a vivemos? Lembra-nos o Papa Francisco na sua última exortação apostólica “Alegrais-vos e exultai-vos”, sobre o chamado à santidade no mundo atual “Podemos dizer que ‘estamos circundados, conduzidos e guiados pelos amigos de Deus. (...) Não devo carregar sozinho o que, na realidade, nunca poderia carregar sozinho. Os numerosos santos de Deus protegem-me, amparam-me e guiam-me’.” (Gaudete et exultate, n. 4). Por isso, confiemos na intercessão e guia dos nossos amigos do céu e passemos de uma fé que só pede graças a uma que nos leva a uma imitação de Cristo, heroicamente praticando as virtudes no cotidiano da vida, como os santos fizeram antes de nós.    

A santidade é para todos e é possível, pois é vontade de Deus que nos sejamos santos como Ele é (Mt 5 48), uma santidade que não é feita de moralismos vazios ou perfeccionismos inatingíveis. Já aqui visível nos chamados “santos ao pé da porta” como nos diz o Papa Francisco “Gosto de ver a santidade no povo paciente de Deus: nos pais que criam os seus filhos com tanto amor, nos homens e mulheres que trabalham a fim de trazer o pão para casa, nos doentes, nas consagradas idosas que continuam a sorrir.” (n. 7). Essas testemunhas que não são poucas vivem conosco e talvez sejamos uma delas nós mesmos. Quantas vezes não deixamos de desistir da caminhada com Deus por causa da oração silenciosa desses irmãos e de seus exemplos? Quantas vezes nós fomos essa luz também para outros irmãos?  

Sendo assim, não há dia mais propício para celebrar os frutos e recomeçar no propósito que Deus nos deu pela RCC do Brasil neste ano do triênio preparatório para o seu Jubileu de Ouro, a conversão sincera. Aproximemos-nos com fé renovada de nossos amigos do céu, sobretudo, confiantes de que a misericórdia e a Graça que agiram neles e pode tudo mudar pode também nos transformar. Impelidos por tão grande amor nos abramos aos que caminham conosco agora, que nos ajudam a ser santos e que precisam de nós. Eloquentemente com nossa vida diremos com santo Antônio de Pádua “Cessem as palavras, falem as obras.”.

 

Fábio Vieira Junges 

Ministério para seminaristas

Arquidiocese de Maceió (AL)

 

 


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