2ª Semana do Advento: a alegria da salvação

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Olá meus irmãos carismáticos! Sou Thaisson da Silva Santarém, seminarista do 4º ano de Teologia, indo para o oitavo e último ano de formação presbiteral. O meu Grupo de Oração é o São Miguel Arcanjo que acontece no nosso Seminário, todas as quintas-feiras, aqui em Brasília (DF). Fui convidado a partilhar aqui sobre o 2º Domingo do Advento. Por isso, nós vamos entender um pouco da espiritualidade deste tempo, também o que a Palavra de Deus nos ilumina neste domingo específico. É o tempo da espera alegre! Mas sabe qual é a alegria maior diante de tudo? Saber que o Senhor conduz a história e nos abre caminhos para que possamos percorrer na fé e na certeza de que, ao final, teremos em plenitude tudo o que Ele nos prometeu!

Acabamos de entrar em um novo ano litúrgico, a partir do domingo passado, 1º Domingo do Advento. E isso implica compreendermos duas coisas importantes: primeiro, que estamos em um tempo novo; segundo, que há uma espiritualidade deste tempo. O tempo do Advento é preparação para a celebração do Natal do Senhor, mas não somente isso, é tempo de renovar a espera e o desejo pela 2ª vinda de Jesus. E por isso, a espiritualidade deste tempo é a conversão alegre. É diferente a perspectiva da conversão no tempo do Advento em relação ao tempo da Quaresma. O tempo do Advento considera a alegria da certeza de que o Senhor virá e restaurará todas as coisas. Não haverá mais dor, sofrimento, morte. E essa certeza nos guia para uma conversão serena, mas urgente. O tempo da Quaresma envolve um tempo de conversão entrando no deserto com Cristo, enfrentando o mal e o pecado com o auxílio d’Ele, e se preparando para o maior mistério de todos: a Ressurreição de Cristo. Mas vamos nos deter sobre o Advento... Uma curiosidade: as leituras das duas primeiras semanas do Advento sempre fazem referência à 2ª vinda de Jesus e ao Dia do Senhor, enquanto as leituras das duas últimas semanas do Advento dizem respeito ao Natal do Senhor e a preparação histórica e profética para tal.

A Palavra de Deus neste domingo nos atinge, aplaina as veredas de nossa vida a fim de que, a salvação a nós preparada nos alcance. O profeta Baruc apresenta a certeza de alegria e glória que o Dia do Senhor trará. O luto, a aflição, serão como vestes que não estarão mais sobre nós. A justiça e a paz de Deus se realizarão, quando o Senhor aplainar os montes do pecado, do mal, do ódio, da injustiça: “Deus ordenou que se abaixassem todos os altos montes e as colinas eternas, e se enchessem os vales, para aplainar a terra, a fim de que Israel caminhe com segurança, sob a glória de Deus. As florestas e todas as árvores odoríferas, darão sombra a Israel, por ordem de Deus. Sim, Deus guiará Israel, com alegria, à luz de sua glória, manifestando a misericórdia e a justiça que dele procedem” (Br 5,7-9). Às vezes ficamos tão focados nas tragédias e problemas do mundo e da nossa vida que esquecemos que o Senhor acabará com tudo isso, realizando sua justiça e a paz. Isso tudo se inicia aqui nessa Terra com a nossa conversão e nossas boas obras, mas a plenitude é somente no Dia do Senhor. Isto é, até a 2ª vinda do Senhor ainda haverá injustiças, sofrimentos, mortes, mas cada ato de conversão é uma fagulha, é uma luz da paz e felicidade que virão de Cristo Jesus.

É o que a 2ª Leitura nos indica. O Senhor nos conduz a uma perfeição plena, que se traduz no crescimento no amor, enquanto conhecimento e experiência, a fim de que cresçamos puros e sem defeitos até o Dia de Cristo (cf. Fl 1,9-10). Quantas vezes o Senhor nos dá a graça de conhecer o Seu amor e de experimentá-lo?! O problema é que esquecemos. O problema é que não buscamos crescer nessa experiência, no conhecimento do amor de Deus. A preguiça ou as coisas do mundo sempre nos ofuscam os olhos. Precisamos pedir ao Senhor a força para renunciar àquilo que nos afasta de Deus, para que possamos crescer no amor e nos prepararmos bem para o Dia do Senhor. Que ninguém sabe quando, mas que não importa se será amanhã ou daqui 1000 anos. O que importa é estarmos na alegria da certeza de que Ele virá e o pecado, a morte e o demônio serão definitivamente derrotados e expurgados da vida daqueles que buscam o Senhor de coração sincero.

No que se refere ao Evangelho, este é a luz que foi lançada sobre aquele tempo, aquele povo. Mas é uma luz que transpassa o tempo, o espaço, os povos de todas gerações, e chega até nós hoje! João Batista é a voz que grita no deserto: “Preparai o caminho do Senhor, endireitai suas veredas. Todo vale será aterrado, toda montanha e colina serão rebaixadas; as passagens tortuosas ficarão retas e os caminhos acidentados serão aplainados. E todas as pessoas verão a salvação de Deus” (Lc 3,4-6). Aqui se repete e começa a se cumprir a profecia anunciada na primeira leitura. A alegria, dita lá, é a salvação de Deus, dita aqui. Quer certeza mais feliz que essa?! A certeza de que um profeta veio ser o instrumento de Deus para rebaixar os montes anunciando um batismo de conversão para o perdão dos pecados! Olha que luz tremenda! Hoje é o tempo em que os montes serão rebaixados, pois o Senhor através de sua Igreja nos exorta à conversão através do perdão dos pecados. E aqui cabe acrescentarmos a confissão sacramental, o Batismo no Espírito Santo, as obras de Misericórdia, além do próprio sacramento do Batismo que não só é para o arrependimento (como o batismo de João), mas realiza o perdão de Deus e a salvação em Cristo, por causa de seu Mistério Pascal.

Eu quero dizer, em poucas palavras, que todo vale, toda montanha, todo problema, todo pecado, todo sofrimento, toda barreira será derrubada a partir do momento que nos voltarmos para o Senhor e permitir que Ele nos perdoe os nossos pecados. Não podemos encarar o perdão de Deus como corriqueiro, é o perdão de Deus que nos salva e derruba as muralhas que atrapalham nossa vida. A maior delas é o pecado e suas consequências. Com o pecado, o inimigo vai tomando posse da terra que foi dada por Deus a você: sua vida. Diga para o inimigo que essa terra ele não tomará posse porque é sua, pois foi dada por Deus! E ele mesmo, o Senhor dos Exércitos, vencerá essa batalha! Mas é preciso começar derrubando as muralhas, como em Jericó (Js 6,1-25) para começar a tomar posse da terra que Deus já havia dado ao povo. Da mesma forma, estamos no começo do ano litúrgico, e é preciso começar derrubando as muralhas do pecado e do mal na nossa vida para que estejamos livres e crescendo no amor de Deus; além de estar crescendo na perfeição que será plena no Dia do Senhor.

Peçamos ao Senhor, agora (se puder parar o que estiver fazendo, a fim de rezarmos), a graça de seu perdão. Peçamos ao Senhor que Ele venha aplainar os montes e derrubar as barreiras da nossa vida. Primeiramente as do nosso pecado. E é essa a conversão! E aí “todas as pessoas verão a salvação de Deus!” (Lc 3,6). Vem Espírito Santo sobre cada um destes que leem este artigo. Peço que derrame a graça do arrependimento sincero do coração e a contrição perfeita, a fim de que façam uma ótima confissão, a fim de que busquem o perdão dos irmãos que foram ofendidos por eles ou que os ofenderam. Que o Seu poder possa leva-los a realizar os atos de misericórdia de Jesus, pois se cremos n’Ele, podemos realizar seus atos e até maiores (cf. Jo 14,12). Então conduza-nos Espírito de amor e de conversão! Obrigado Espírito Santo por vir em auxílio às nossas fraquezas! Por isso tudo agradecemos, pois como o Salmo deste domingo: “Maravilhas fez conosco o Senhor, exultemos de alegria!” (Sl 125,3). Amém.

 

Thaisson da Silva Santarém

Seminarista 

Grupo de Oração São Miguel Arcanjo - Brasília (DF)


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