Santa Cecília, firmeza e doçura

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Dia 22 de novembro se comemora a devoção à Santa Cecília, padroeira dos músicos. Essa jovem musicista deixou um grande exemplo coragem no seguimento de nosso Senhor. Nossos tempos atuais exigem sabedoria e firmeza na defesa de nossa fé e de nosso testemunho cristão. Com cada vez mais conectividade e ampla discussão sobre tudo, nós precisamos firmar nossas bases e valores interiores, para não permitir que o relativismo nos roube a direção certa na nossa busca a Deus. Se hoje, demonstrar a fé e a pureza sexual é algo por vezes constrangedor, imagine na época em que o simples fato de ser cristão era causa de condenação à morte. Cecília, jovem abrasada pelo amor a Deus, nasceu por volta de 150 D.C., em Roma, local de épicas perseguições e espetáculos de tortura e morte aos cristãos. Naquela realidade, ser de Deus significava dar tudo, se render por completo ao cuidado do Pai, e confiar inteiramente no Céu.

Ela, desde a infância acostumada a ver o martírio dos crentes, foi formada na firmeza de decisão e na esperança da vida eterna, a ponto de se tornar grande referência para o mundo todo de coragem e testemunho frente à dor e à morte. Quando ainda era criança, por amor a Deus, sentiu o chamado de consagrar-se por inteiro, fazendo voto de virgindade. Porém, seus pais a prometeram em casamento a Valeriano. Cecília decide contar ao noivo seu compromisso com Deus, e diante de tanto entusiasmo e determinação, o noivo se converte do paganismo para o catolicismo, recebendo o batismo e dando seus bens aos pobres. Seu irmão também se converte diante do relato de Valeriano. Ambos ganharam o prêmio do martírio por terem se convertido a Cristo, sendo degolados.

Cecília também foi condenada a morte. Primeiro, tentaram coloca-la na sala de vapores, onde deveria morrer em poucos minutos, mas a jovem permaneceu sem lesões. Depois, um mergulho na água fervente, mas ela também saiu ilesa. Até que foi ordenada a morte por decapitação. Ela recebeu três golpes no pescoço, que seria normalmente mais do que suficientes para acabar instantaneamente com sua vida, porém, Cecília permaneceu viva por três dias. Durante todas essas tentativas, o testemunho firme e as declarações de amor a Deus dessa santa geraram a conversão de diversas pessoas, inclusive de seus próprios carrascos. Mesmo ferida, ela animava os cristãos que a vinham visitar, reafirmando sua fé e esperança na vida eterna.

Para essa jovem musicista, o preço de sua fidelidade foi a própria vida. Por sua entrega, sua missão foi transbordada de unção e fecundidade. Também hoje, é preciso que tenhamos a noção do que é preciso sacrificar para que nossa vida seja fiel e autêntica, para que mantenhamos o testemunho digno do chamado do Senhor. Por Amor a Deus, todo o resto perde o sentido e se torna secundário. Nossa entrega, seja nas pequenas coisas ou na doação completa da vida, precisa ser integral, com nossa alma rendida completamente a vontade de Deus. O mundo precisa de novos artistas que tenham amor a Deus suficiente para abrir mão de todas as coisas para se tornarem verdadeiramente íntimos Dele, dando espaço interior para que Ele gradativamente cresça mais, se tornando nosso centro, nosso sentido, nosso prazer e fonte de Vida. Assim, nosso testemunho, mesmo diante da dor e sacrifício, se tornará evangelização eficaz, com força de salvação. Que Santa Cecília nos ensine a ter Ele como maior tesouro, nos dispondo a perder todo o resto para ser mais Dele.

 

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Roberta Castro
Coordenadora Nacional do Ministério de Música e Artes

 


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