Um setembro mais amarelo

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Ouvir muito, falar pouco e acolher, sem julgar

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A cada 40 segundos no mundo e a cada 45 minutos no Brasil ocorre um suicídio. Segundo a Organização Mundial da Saúde 90% dos casos de suicídio poderiam ter sido evitados se a vítima tivesse recebido ajuda de qualquer pessoa, com tratamento adequado e cuja receita é o acolhimento, o respeito e nunca o julgamento. As pessoas em situação de desespero, desesperança e desamparo precisam de fatores de proteção que lhes possibilite humanização e acolhimento. Para o desenvolvimento desses fatores de proteção é essencial a empatia, a capacidade de se colocar no lugar do outro. “Falar salva, mas é preciso falar seriamente. Todo suicídio é, em geral, uma história de muito sofrimento”. É consenso que falar é a melhor solução. 
 
Nós podemos ajudar. De maneira alguma podemos deixar de manifestar misericórdia. Jesus resgatava as pessoas dos seus conflitos oferecendo-lhes um coração misericordioso. E ele continua fazendo isso através de nós que somos a sua continuidade. Enquanto seguidores do Cristo que buscam viver uma “Vida essencialmente Samaritana”, precisamos nos orientar, dedicar atenção ainda mais efetiva aos momentos de partilha nos grupos de oração e incentivar o ouvir ativo entre os membros do Grupo de Oração. Assim como os outros sentimentos: alegria, orgulho, amor; a dor precisa ser expressa, senão sufoca, ela precisa sair. Urge entendermos o verdadeiro sentido do verbo “ACOLHER”. É justamente trazer a pessoa para dentro de você, fazer com que esta pessoa se sinta importante, evitando assim as tentativas de suicídio. Por isso, como uma comunidade fraterna que somos, é necessário que nos coloquemos à disposição, de prontidão, em atenção e, à luz do Espírito Santo de Deus, perceber, exercer, ver, avistar os que estão próximos a nós e, num impulso de amor, nos aproximar, dedicar nosso tempo e empregar nossos melhores esforços em seu cuidado.
 
Se há uma desconfiança, é importante que se converse diretamente com a pessoa que está sofrendo. Um diálogo aberto, respeitoso, empático e compreensivo pode fazer a diferença. Procurar saber como a pessoa está, o que tem feito ultimamente, como está se sentindo. O foco da conversa deve ser o outro, portanto, não é recomendável: falar muito sobre si mesmo, oferecer soluções simples para os problemas que a pessoa relatar e desmerecer o que ela sente. Essa conversa pode obter melhores resultados se for feita um lugar tranquilo, sem pressa, respeitando o tempo da pessoa para se abrir. Caso a pessoa se sinta à vontade para compartilhar o seu sofrimento, não é indicado: rechaçar (“Credo, isso é pecado!”), esboçar expressões de choque (“Não acredito que você está pensando nisso!”) e reprimir, caso o choro venha (“Pra que chorar? Você sempre teve tudo do bom e do melhor!”). 
 
Se você perceber que a pessoa não se sente à vontade para se abrir, deixe claro que você estará disponível para conversar em outras oportunidades. Se a pessoa falar claramente sobre os seus planos de se matar e parece estar decidida quanto a isso, é primordial que ela não seja deixada sozinha. Podem ser contatados os serviços de saúde mental e familiares/amigos da pessoa. O grande diferencial é mostrar que você se importa.
 
“escolhe, pois, a vida” (Deuteronômio 30:19)
 
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Com amor,
Sheila Ferraz Damaceno
MPH/RCCBRASIL
 


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