A força do Espírito Santo nos torna testemunhas

No início do Livro dos Atos dos Apóstolos é importante notar o resgate que o autor registra, sobre sua obra anterior. Na primeira narração ele diz que contou a sequência das ações e ensinamentos de Jesus, do princípio ao dia que foi arrebatado ao céu. 

O autor imprime um prazo entre a ressurreição e a subida de Jesus ao céu. “Aparecendo-lhes durante quarenta dias”: um paralelo entre os quarenta dias de Moisés no Sinai, recebendo as Tábuas da Lei e as instruções do Reino de Deus. Ainda que um número talvez simbólico, os quarenta dias refletem um tempo privilegiado de convivência e comunhão.

Para os mais próximos foram muitas as provas. Jesus manifestava-se vivo, comendo com eles. Orienta a necessidade de permanecer em Jerusalém e lembra a promessa do Pai: “sereis batizados no Espírito Santo”.

No intervalo entre o Domingo da Ressurreição e Ascensão, os ensinamentos sobre o Reino de Deus iam despertando o interesse pela restauração de Israel. É no Monte das Oliveiras, lugar de visão privilegiada de Jerusalém, que os discípulos interrogam a Jesus: “É porventura agora que ides instaurar o reino de Israel?” – questionamento que mereceu correção imediata. 

Os que seguiam Jesus possuíam ainda uma visão temporal. O “agora” reflete o desejo da visão, ainda nesta vida, da concretização da esperança. Jesus é duro: “a vós não pertence saber os tempos e os momentos que o Pai fixou em seu poder”. 

Enquanto eles esperam as maravilhas do Reino anunciado; Reino dos pobres, Reino dos mansos, Reino em que serão saciados os que têm fome e sede de justiça, Reino daqueles que choram e são consolados; Jesus fala da promessa do Batismo no Espírito Santo. 

Somente com a força do Espírito Santo os discípulos passarão às testemunhas. Com o Espírito Santo eles vão entender que o Reino foi inaugurado em Jesus, embora o antigo regime ainda permaneça e o Pai guarde em sua “autoridade” quando isso vai mudar.

Sem o derramamento do Espírito Santo, a dúvida dos discípulos é quanto ao reino de Israel. Jesus amplia-lhes a visão, dizendo que o testemunho deles ultrapassaria o que esperavam: “em Jerusalém, na Judéia, na Samaria e até os confins do mundo”. Tal testemunho aplicaria-se ao povo fiel de Israel, na Cidade do Altíssimo, mas chegaria também aos rejeitados da Samaria, e iria estender-se aos confins – aos limites extremos do mundo.

Jesus poderia usar outro termo, que o de “testemunhas”. Poderia ter chamado os discípulos de “professores” – aqueles que iriam ensinar. Mas, não foi assim. Um professor, um mestre, fala de algo que aprendeu. Jesus não os queria nessa visão. Eles iriam contar uma notícia, não ensinar uma doutrina. 

Revestidos da Força do Alto, as testemunhas de Jesus devem ir aos confins do mundo, levando a boa notícia, não fatos históricos apenas, mas uma realidade que transcende o tempo, o Reino de Deus que é uma pessoa, por quem os que choram são consolados e os que têm fome e sede de justiça são saciados.

 

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Bruno Maffi

Grupo de Oração Dom Albano Cavallin

Arquidiocese de Londrina (PR)

 


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