Dedicação da Basílica de Latrão

Festejamos hoje, dia 9, a dedicação – consagração – da Basílica do SS. Salvador ou de São João de Latrão. Construída por volta de 314 pelo Papa Melquíades, foi definida Mãe de todas as igrejas da Cidade e do Mundo (Urbe et Orbe). Sendo o Papa o Bispo de Roma, São João de Latrão é sua Igreja Catedral, onde está sua cátedra, sua cadeira de pastor e de mestre.

Inicialmente os cristãos não possuíam lugares fixos para a celebração da Eucaristia, mas a realizavam em suas casas. Com o passar de algum tempo, mesmo na era dos Apóstolos, se tornou imperioso o encontro de algum local comum para as celebrações litúrgicas.

É o símbolo da fé dos cristãos nos primeiros séculos, onde se reuniam para celebrar a Palavra de Deus e os Sagrados Mistérios.

Liturgicamente, qual o significado pode ter para nós esta celebração?

Celebrar a festa da dedicação da Basílica de São João de Latrão também nos possibilita refletir sobre o sentido do templo como organismo vivo do qual os cristãos são pedras vivas.

Quando alguém é batizado, ele é convocado a compor o corpo místico de Cristo e a ser membro de Sua Igreja, cuja cabeça é o próprio Senhor.

Somos o corpo vivo, o templo vivo e é o Espírito Santo quem nos dá a vida, quem nos une. A Igreja, templo e corpo, formada por todos os batizados, é a manifestação visível da presença do Senhor Ressuscitado. Por isso ela celebra os sacramentos, todos decorrentes da Eucaristia, com a qual somos alimentados e nutridos.

É ela, a Igreja, aquela que louva o Senhor com sua liturgia, a esposa sem ruga e sem mancha, que foi purificada pelo próprio esposo, o Cordeiro Imolado.

Portanto, celebrar a dedicação de um templo é celebrar aquilo que, na verdade, ele representa, o Corpo Místico de Cristo.

Se respeitamos o Templo construído de pedras, de tijolos, deveremos respeitar mais ainda o Templo Vivo, representado por cada ser humano que foi batizado. Nele, criado à imagem de Deus, redimido pelo sangue de Jesus, habita o Espírito Santo. Se nos desdobramos para que o Templo esteja limpo e bem adornado, como então não deveríamos lutar para que todo e qualquer ser humano tivesse a dignidade que atribuímos a um templo de pedra!

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Pe. Cesar Augusto dos Santos, S.J.

Rádio Vaticano

 


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