A última Ceia foi um gesto de entrega

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“A cruz de nosso Senhor Jesus Cristo deve ser a nossa glória: nele está nossa vida e ressurreição; foi ele que nos salvou e libertou”. (cf. Gl 6,14)

Não podemos negar que o maior acontecimento da história da humanidade é a Encarnação, Vida, Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo, o Filho de Deus feito homem. Nada neste mundo supera a grandiosidade deste acontecimento. O católico autêntico celebra com alegria cada função litúrgica do Tríduo Pascal. Toda a Quaresma nos prepara para celebrar com as disposições necessárias a Semana Santa, que se inicia com a celebração da Entrada de Jesus em Jerusalém, o Domingo de Ramos.

Depois da Encarnação e Morte cruel de Jesus na Cruz, ninguém mais tem o direito de duvidar do amor de Deus pela humanidade. Disse o próprio Jesus que “Deus amou a tal ponto o mundo que deu o seu Filho Único para que todo aquele que nele crer não morra, mas tenha a vida eterna.” (Jo 3, 16)

Geralmente na Quinta-Feira ocorrem duas celebrações distintas: A Missa do Crisma (ou dos Santos Óleos) e a Missa da Ceia do Senhor, com a qual a Igreja inicia o Santo Tríduo Pascal. Na Missa dos Santos Óleos, a Igreja celebra a Instituição do Sacramento da Ordem e a bênção dos santos óleos do Batismo, da Crisma e da Unção dos Enfermos. Na Missa da Ceia do Senhor (ou do Lava-pés), na noite da Quinta-feira Santa, a Igreja celebra a Última Ceia de Jesus com os Apóstolos, onde Ele instituiu a Sagrada Eucaristia e deu suas últimas orientações aos Apóstolos.

Nesta Celebração, existem três momentos muito importantes para nossa fé: O primeiro deles é a Instituição da Eucaristia: O Senhor – para que tenhamos a força de amar como Ele amou, de confiar amorosamente no Pai como Ele, de amar os irmãos como Ele -, Ele instituiu o Sacramento do amor: a Eucaristia. Ele deixou-se ficar no Pão e no Vinho transfigurados pelo seu Espírito Santo, como sacramento do seu Corpo e Sangue, imolado e ressuscitado para ser nossa oferta ao Pai, nosso alimento no caminho e nosso penhor de ressurreição e vida eterna.  O segundo é a Instituição do Sacerdócio: Para presidir à Eucaristia e ser um sinal do Senhor, mestre e servidor, Cristo, na Ceia, instituiu o sacerdócio ministerial àqueles que em seu nome e por sua ordem, deverão presidir à Celebração eucarística até que ele volte. Somos convidados a rezar pelo nosso Bispo e pelos nossos sacerdotes, para que sejam dignos de tão grande ministério e o exerçam como Cristo, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida. Por fim, o terceiro momento é a Lição de humildade no gesto do lava-pés: “Tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim,” até o extremo de entregar a vida, pois “não há maior prova de amor que entregar a vida pelos amigos” (Jo 15,13). O Senhor se fez nosso servo, lavou nossos pés, porque “não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate por muitos” (Mc 10,45).

O Papa emérito Bento XVI nos ensina que “A Eucaristia é o mistério da proximidade e comunhão íntima de cada indivíduo com o Senhor. E, ao mesmo tempo, é a união visível entre todos. A Eucaristia é sacramento da unidade. Ela chega até ao mistério trinitário, e assim cria, ao mesmo tempo, a unidade visível.”

Nosso Papa Francisco nos diz que “Jesus fez na última Ceia um gesto de entrega. É como a herança que nos deixa. Ele que é Deus se fez servo, servidor nosso. E esta é a herança: também vós deveis ser servidores uns dos outros. E Ele fez este caminho por amor: também vós deveis amar-vos e serdes servidores no amor.”

Somos convidados a viver, com grande intensidade de fé o Tríduo Pascal, deixando que a liturgia penetre em nós, por seus ritos e pela palavra que os explica, nos leve a compreender sentido salvífico da Cruz de Cristo.

Deus os abençoe.

Padre Heldeir Gomes Carneiro

Capela Coração de Maria de Porto Nacional (TO)

Coordenador Nacional do Ministério Cristo Sacerdote


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