O preço da traição e o valor da paixão

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Meus irmãos, já inseridos nesta Semana Maior, tempo de aprofundarmos no grande mistério de amor doado sem reservas e sem conta de si, devemos nos perguntar:  O preço de uma ação equivale ao seu valor? Pergunta como esta parece um tanto confusa porque comumente associamos preço e valor na mesma paridade. Mas refletindo o Evangelho, é possível distinguir esta proporcionalidade sobretudo quando se usa o dinheiro como parâmetro de valor por uma vida. O Cenário narrado pelo Evangelista São João (Jo 12,1-11)  é: Jesus na casa dos seus amigos Lázaro, Marta e Maria, um verdadeiro encontro e reencontro de amizade profunda. Neste ambiente, Jesus já havia ressuscitado Lázaro e estavam há seis dias antes da Páscoa. Um jantar posto a mesa como sempre acontecia a cada visita do amigo Jesus a esta família, com Marta servindo e Lázaro junto a mesa, tudo de modo simples e natural, até que Maria tomando quase meio litro de perfume de nardo puro e muito caro, ungiu os pés de Jesus e enxugou-os com seus cabelos, um gesto de amor e gratidão que gerou um incômodo para Judas Iscariotes afirmando ser um desperdício aquela ação, já que se tratava de um perfume caro. Diante da cena, aprofundemos a equivalência do preço e do valor.

Sabemos que Judas foi aquele que entregou Jesus por trinta moedas de prata, preço equivalente a um escravo morto, segundo a narrativa bíblica (Ex 21,32).  Ele se indignou com o gesto de Maria porque era ladrão e não por se preocupar com os pobres como quis mascarar-se de um discurso de caridade.  Judas Iscariotes estava preso e iludido apenas na superficialidade do dinheiro, sua sede (a ganância) por moedas de prata, fora tanto que trair o mestre por qualquer valor, lhe seria “lucro”.  O perfume de nardo puro valia trezentas moedas de prata, dez vezes mais do que o preço da venda de Jesus por Judas, porém, o gesto de Maria teve um valor incalculável.

Muitos de nós calculamos tudo na forma de preço e esquecemos que há valores que não se pagam. Um gesto de humildade de Maria ao lavar os pés de Jesus, seu amor e gratidão, sua atitude de demonstrar na prática o quanto Jesus era amado por ela sem constrangimentos, não tem preço, porque o preço são para coisas que passam, o valor são para realidades transcendentes. 

O convite para nós hoje é contemplar o valor da paixão de Cristo, capaz de dignificar nós homens, pobres e limitados, fracos e mesquinhos, mas possíveis de viver o valor imensurável da adoção filiação divina, dada por Cristo na cruz. No início desta meditação, iniciei fazendo uma pergunta e ao final desta, concluo com mais um questionamento para todos nós... O preço que temos pago para nosso pecados são ou não baixos demais que nos tem travados na superfície do nada em relação ao grau elevado para o qual somos chamados?

O amor é sacrifício real, valor inacabável, eterno. Gratidão, bondade, serviço e caridade não se podem calcular.

Para rezarmos após essa mensagem, pegue a Carta de São Paulo aos Colossenses (Cl 3,1-15), faça uma leitura meditada e sua oração escutando ao Senhor.

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Pe. Moisés Coelho
Comunidade Obra de Maria

 


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