Carta ao Ministério de Música e Artes - Fevereiro de 2014

A paz de Jesus, irmãos!

Depois de termos vivido uma experiência profética e animadora no ENF 2014, hoje temos uma motivação singular para seguirmos adiante. Penso que devemos mastigar cada reflexão lançada a nós. Não podemos perder de vista tudo o que Deus nos falou. Tenhamos o zelo de sermos obedientes à voz do nosso Deus. Pensando assim, quero nesse mês refletir sobre uma moção que foi trazida para nós no ENF. E vou intitular essa carta como:

Aos Moldes de Maria para uma nova roupagem ao Ministério de Música e Artes


altUm breve testemunho de confirmações e insistências de Deus... Em Maio de 2013, começamos um dos trabalhos do projeto SOLO SAGRADO (iniciado em Piracicaba). Quando fomos rezar nos preparando para a missão, fomos conduzidos a refletir sobre João Batista. No mês de dezembro de 2013, a Bel e eu fomos a Campo Grande/MS, pregar no congresso estadual do MMA MS. E me recordo de que a última pregação que fiz foi referente à Maria, mas também a João Batista, mostrando sua vida missionária, que se deu início pela saudação cheia do Espírito Santo de Nossa Senhora à Isabel.

No ENF, enquanto rezávamos, depois da pregação do Eugênio, Deus nos deu essa moção também, sobre uma nova cara para o MMA, referindo-se a João Batista. Acabando o Encontro, tinha já no coração o desejo de escrever sobre João Batista. E pra minha surpresa, o Papa em sua homilia no dia 07 de fevereiro, pregou sobre João, referindo-se também à saudação de Maria (veremos abaixo essa citação).

Durante o fim de semana, em que estive no Acampamento para Músicos na Canção Nova, partilhava muito sobre isso com o Eugênio Jorge e relembrávamos como foi profundo aquele momento no ENF e fui relatando tudo isso a ele. O Eugênio ia pregar com o Nelsinho Corrêa no Acampamento, era a última pregação, mas, até então, não tinham decidido sobre o que falariam. O Eugênio pediu ao Nelsinho que trouxesse o tema, e, no domingo de manhã, quando trouxe, disse para o Eugênio: “Vamos pregar sobre João Batista”.

Penso que Deus está insistindo conosco para olharmos para esse grande profeta. A vida de João Batista nos ensina demais, nos provoca nos tira do comodismo e nos desinstala. Nesse tempo temos olhado pra Maria e aprendido muito com ela, principalmente referente à sua humildade, seu escondimento e sua obediência. E vemos agora em João Batista que é do mesmo sangue de Maria, uma grande referência para nós artistas.

Eu não sou o Cristo

“Este foi o testemunho de João, quando os judeus lhe enviaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para perguntar-lhe: Quem és tu? Ele fez esta declaração que confirmou sem hesitar: Eu não sou o Cristo” (Jo 1, 19-20).

Nos evangelhos vamos perceber o quanto João era convicto de sua missão e vocação, ele veio sem dúvida preparar o caminho do Senhor, “este é aquele de quem está escrito: Eis que envio o meu mensageiro ante a tua face; ele preparará o teu caminho diante de ti” (Ml 3,1). Sabia que sua missão era árdua e que teria sim muitos seguidores. Ele batizava na região de Jordão, pregando o batismo de arrependimento para a remissão dos pecados (cf Lc 3, 3). Muitos o procuravam para serem batizados, mesmo ele pregando com autoridade e exortando em seus discursos, chamando-os de “raça de víboras”, dizendo para “fazerem penitência” (cf Lc 3, 7-8). Isso fez com que o povo o seguisse e que, naturalmente, acreditasse que ele era o Cristo: “Quem és tu?” e sem hesitar, diz a palavra, ele respondeu, “Eu não sou o Cristo”. Ele sabia que o povo judeu esperava o Cristo, o Messias, e estavam ansiosos em saber se João o era. Criaram coragem e perguntaram, mas João é convicto, João é claro e desapegado: Eu não sou! Pelo contrário, diz não ser digno nem de desatar suas sandálias (cf Jo 1,27). Ele tinha sim seguidores, mas nunca os iludiu, não quis ser mais do que ele era. Não assumiu o lugar Daquele de quem anunciava. Não tinha apego com seu povo, era desprendido de públicos.

Primeira lição: Eu não sou o Cristo

A vaidade gera em nós um sentimento tão podre que, indiretamente e, às vezes, até diretamente, queremos assumir o lugar do nosso Senhor. O fato de pessoas que buscam a Deus nos olharem, nos ouvirem, se sentirem atraídas pelo nosso ministério e nosso serviço, faz com que as pessoas passem a admirar o que Deus faz através de nós. Por vezes, vão ao Grupo de Oração por saberem que lá tem um bom ministério de música, por ter boas vozes, ou, por quantas vezes, vão aos encontros porque vêem no cartaz o nome de alguém conhecido na diocese, no estado ou até nacionalmente. O povo realmente tem essa mentalidade, o perigo está em quando colaboramos e aceitamos certos tipos de tratamentos, como quando querem nos elevar, quando querem nos dar as honras que não são nossas. Todas as vezes que pessoas vêm nos elogiar, nos elevar, devemos ficar com essa frase latejando em nossa mente: Eu não sou o Cristo, Eu não sou o Cristo, Eu não sou o Cristo. Nós não realizamos nada, irmãos, não podemos nada. Jesus mesmo nos disse: “Sem mim, nada podeis fazer” (Jo 15,5). Não pense que sem você as coisas não acontecem. Não queiras fazer tudo, não centralize em você as atividades, não pense ser você o salvador da situação. Não queira estar à frente, não deseje ser coordenador. E mais uma vez eu digo, precisamos é do CHAMADO, do ENVIO.

Vejam esse texto fantástico que João Batista mesmo diz: 

Foram e disseram-lhe: Mestre, aquele que estava contigo além do Jordão, de quem tu deste testemunho, ei-lo que está batizando e todos vão ter com ele...’  João replicou: Ninguém pode atribuir-se a si mesmo senão o que lhe foi dado do céu.  Vós mesmos me sois testemunhas de que disse: Eu não sou o Cristo, mas fui enviado diante dele. Aquele que tem a esposa é o esposo. O amigo do esposo, porém, que está presente e o ouve, regozija-se sobremodo com a voz do esposo. Nisso consiste a minha alegria, que agora se completa. Importa que ele cresça e que eu diminua” (Jo 3, 26-30).

Eu sou a voz

“Perguntaram-lhe de novo: Dize-nos, afinal, quem és, para que possamos dar uma resposta aos que nos enviaram. Que dizes de ti mesmo?  Ele respondeu: Eu sou a voz que clama no deserto: Endireitai o caminho do Senhor, como o disse o profeta Isaías (40,3)” (Jo 1,22-23).

João Batista tem convicção do seu chamado. Nasceu pra anunciar a vinda do Messias e o fez, com verdade e prontidão. Se não fizesse, com certeza lhe seria cobrado. Logo em seu nascimento perguntavam: “Que será este menino?” (Lc 1, 66) E veio da boca de seu pai Zacarias a profecia, o seu chamado: “E tu menino, serás chamado profeta do Altíssimo, porque precederás o Senhor e lhe prepararás o caminho” (Lc 1,76). João estava debaixo de uma profecia que lhe deu o rumo de todo o seu futuro. João era um profeta, não “O profeta” como o perguntaram, “És tu o profeta?” e ele respondeu “Não”, porque a pergunta se tratava do Messias e ele não era “O” profeta, e sim, “Um” profeta. Mas, não era um profeta como os outros, Jesus mesmo disse: “Sim, digo-vos, e mais do que profeta. Este é aquele de quem está escrito: Eis que envio o meu mensageiro ante a tua face; ele preparará o teu caminho diante de ti (Ml 3,1). Pois vos digo: entre os nascidos de mulher não há maior que João” (Lc 7,26-28).Ele tinha algo especial em seu chamado: Preparar o caminho do Senhor!

Por isso, João precisava anunciar, precisava obedecer à voz de Deus, tinha que ser eficaz e foi. Foi para o deserto da Judéia e dizia “Fazei penitência, porque está próximo o Reino de Deus” (Mt 3, 2). Da profecia proclamada, ele só era a voz, não a palavra, era somente o instrumento.

Segunda Lição: Eu sou profeta, eu sou a voz

Estamos debaixo de um chamado, estamos sob a voz que nos chamou e nos enviou. Talvez perguntem sobre nós, ou até mesmo nós nos questionamos sobre nós mesmos: “Que será esse menino, essa menina?” E em nome de Jesus responderemos – Somos Profetas! Lembremo-nos das palavras do Eugênio no ENF 2014:

  • “Ministério de música e artes é ministério de profecia!”;
  • “Deus nos chamou para profetizar através da música, através da Arte”;
  • “Pode faltar a música, mas não a profecia”.

Vejo esse homem de Deus, fazendo o papel de Zacarias, olhando pra nós como filhos e dizendo: “E tu menino, serás chamado profeta do Altíssimo, porque precederás o Senhor e lhe prepararás o caminho” (Lc 1, 76).

E não é essa mesma a nossa missão, irmãos? Nascemos para preparar o caminho do Senhor, por meio de nossa arte abrir os corações para Jesus entrar e reinar. Entenda, artista de Deus, VOCÊ É PROFETA DE DEUS! Mas, não somos mais do que isso, irmãos, somos somente a voz, somente o instrumento. Nossa arte é somente a voz, Deus quis usar de nossa voz como veículo para alcançar a outros. É essa a missão do profeta, ser a voz de Deus, mas nada mais que isso.

O Eugênio, em uma das suas falas na pregação no Acampamento, dizia: “Quando falo, o som da minha voz desaparece rapidamente, mas o que fica guardada é a palavra proclamada”. É exatamente assim, a voz, o som, são necessários para que seja proclamada a palavra, mas só é o veículo que faz chegar aos ouvidos, mas logo desaparece, em frações de segundos. O que fica, o que permanece, e realmente precisa permanecer, é a palavra, o verbo, o Senhor! Lembro-me das palavras da Bel quando nos alertava: “Ao final de cada apresentação que fizermos, o que deve sair da boca de quem nos ouve e nos vê é PALAVRA DA SALVAÇÃO”. É isso, irmãos! O que deve ficar e permanecer é a profecia, a palavra, a mensagem. Podem até recordar de seus passos, de sua voz e de suas atuações, mas o que deve permanecer, é a palavra de Deus que salva.

Aos Moldes de Maria para uma nova roupagem ao Ministério de Música e Artes

Talvez você se pergunte o que isso tem a ver com a moção “Aos Moldes de Maria”. Vamos às palavras do Papa Francisco: “A fonte deste comportamento de João Batista está no encontro de Maria e sua prima Isabel, quando João pulou de alegria no ventre de sua mãe”. Francisco explicou que aquele encontro encheu de alegria o coração de João e o transformou em discípulo. Que lindo isso, irmãos, que cuidado de Deus para conosco! O papa nos diz que A FONTE do comportamento de João está em Maria, a saudação da Mãe de Deus gera homens humildes, gera homens comprometidos, desapegados, gera profetas! Maria percorre quilômetros para a visita a sua prima, atravessa o deserto, com certeza, com muita dificuldade. Mas, ela já tem no seu ventre o Menino Deus. E ao entrar, saúda sua prima Isabel, acredito que tenha sido: “Shalon Isabel!”. E João Batista pula de alegria no ventre de sua mãe.

O que sinto é exatamente assim, Maria tendo que percorrer um longo caminho para nos alcançar, atravessa o nosso deserto, porque estamos longe por causa do nosso orgulho, autossuficiência e vaidade. Mas, Ela percorre, Maria sabe que se formos como João Batista, estaremos próximos ao que Jesus espera de nós.

Rezemos, irmãos! Em cada Ave Maria proclamada, mesmo que nós a saudemos com “Ave Maria, cheia de Graça”, queiramos nós ouvir a saudação dela “Shalon Juninho!” ou “Shalon Raquel, Roberta, Taciano...” Assim estaremos prontos ao novo de Deus.

Nós, músicos, usamos um termo quando queremos dar uma nova cara a uma música antiga, falamos: “Vamos dar uma nova roupagem pra essa música”. É a mesma música, mas eliminam-se os arranjos antigos e pensam-se e criam-se novos arranjos. Maria, com sua saudação, quer hoje eliminar em nós essa roupa de artistas pela qual estamos vestidos, para nos oferecer as vestes como as de João Batista: “João usava uma vestimenta de pelos de camelo e um cinto de couro em volta dos rins. Alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre” (Mt 3, 4), as vestes de “Eu não sou o Cristo”, “Meu ministério é feito de profetas”, “Eu sou somente a voz, não a palavra”. Enfim, deixemos Maria nos encontrar logo, para ficarmos cheios do Espírito e nos despirmos de nossas vestes antigas e nos revestirmos de “pelos de camelo e um cinto de couro em volta dos rins”.

Peço-vos perdão por ter me alongado tanto nessa carta, fiz o que pude pra escrever o que está no meu coração, debaixo de muita oração. A novidade é que esse assunto referente a João Batista ainda não se esgotou (risos). João ainda vai ser preso, fica no cárcere e é decapitado. Sua cabeça é entregue numa bandeja. Será que estamos prontos para a próxima carta?

 

Um grande abraço desse pobre pecador,

Juninho Cassimiro

Coordenador nacional do Ministério de Música e Artes

 

Acesse outras cartas ao Ministéiro de Música e Artes da RCC do Brasil, na página musicaeartesrcc.com.


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