Catequese: continuar o diálogo inter-religioso aberto e respeitoso é de vital importância

altA audiência geral desta semana foi inter-religiosa, para comemorar os 50 anos da declaração conciliar Nostra aetate, sobre as relações entre a Igreja católica e as religiões não cristãs. Após o habitual trajeto do Santo Padre pela Praça de São Pedro, tomaram a palavra antes da catequese o cardeal Tauran, presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-Religioso, e o cardeal Kurt Koch, presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos.

Estavam presentes na praça os participantes do congresso internacional sobre a Nostra aetate que está sendo realizado na Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma, além de representantes de várias religiões.

O purpurado francês agradeceu ao papa “pelo seu luminoso testemunho, que nos incentiva a seguir o caminho do diálogo inter-religioso indo ao encontro dos outros crentes com uma clara consciência da nossa identidade, mas com espírito de grande respeito, estima e amizade, prontos para trabalhar juntos com quem reza e pensa de maneira diferente da nossa”. Também agradeceu pelos “seus incessantes e incansáveis convites a nós, crentes, e a todos os homens e mulheres de boa vontade, para trabalharmos pela paz no mundo eliminando as injustiças e desigualdades e para cuidarmos da nossa casa comum”.

O cardeal Koch afirmou que, em nossos dias, quando surgem lamentavelmente novas ondas de antissemitismo, “Sua Santidade recorda incessantemente aos cristãos que é impossível ser ao mesmo tempo cristão e antissemita”. Por isso, agradeceu pela “mensagem inequívoca e pela benevolência que [o Santo Padre] sempre mostrou para com nossos irmãos e irmãs judeus”.

No resumo da catequese, o Santo Padre acolheu "todas as pessoas e grupos de diversas religiões presentes neste encontro para recordarmos juntos os 50 anos da declaração Nostra aetate, do Concílio Vaticano II, sobre as relações da Igreja com as religiões não cristãs”. Com este documento, observou o papa, a Igreja manifestou o seu apreço e estima pelos crentes de todas as religiões e por tudo o que há nelas de bom e de belo. “Nestes últimos anos, têm sido numerosas as iniciativas, as relações institucionais ou pessoais com as religiões não cristãs, encaminhadas a promover a amizade e a união entre os homens”. Deus deseja, afirmou Francisco, que todos os homens se reconheçam como irmãos e vivam como tais, formando na harmonia da diversidade a grande família humana.

O papa explicou que “o mundo olha para nós, os crentes, e nos chama a colaborar entre nós e com os homens e mulheres de boa vontade que não professam religião alguma”. Por isso, “é importante continuar um diálogo inter-religioso aberto e respeitoso, que ajude a nos conhecermos mais e a enfrentarmos juntos muitos dos problemas que afligem a humanidade, como o serviço aos pobres, aos excluídos, aos idosos, o acolhimento aos emigrantes, o cuidado da criação, assim como a garantirmos para todas as pessoas uma vida mais digna (...) Devemos deixar o mundo melhor do que o encontramos. E para favorecer este diálogo, o mais importante que podemos fazer é rezar. Com nosso Senhor, tudo é possível”.

Ao terminar a audiência geral, o pontífice recordou as numerosas vítimas do terremoto desta semana no Paquistão e no Afeganistão e convidou a rezar “pelos mortos e pelos seus familiares, por todos os feridos e pelos desabrigados, implorando de Deus a consolação no sofrimento e o alento na adversidade”. Francisco também pediu que não falte para “esses irmãos a nossa concreta solidariedade”.         

O Santo Padre convidou todos os presentes na praça a rezarem durante alguns instantes em silêncio, "cada um seguindo a sua tradição religiosa". Peçamos ao Senhor, disse o papa, que nos faça mais irmãos entre nós e mais servidores dos nossos irmãos necessitados.

Fonte: Zenit


Leia mais sobre Formação