Guardar a Identidade da RCC para que o mundo seja batizado no Espírito Santo

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A última formação do Encontro Nacional de Formação 2021 foi ministrada pelo presidente do Conselho Nacional da RCC, Vinícius Simões. Ministrada na manhã de domingo, dia 24, a formação teve como tema “Guardar a Identidade da RCC para que o mundo seja batizado no Espírito Santo”.

Vinícius Simões iniciou a formação falando sobre o sonho de Deus para a RCC. Segundo ele, o Senhor chamou a Renovação Carismática Católica para uma experiência aprofundada e atualizada do Batismo no Espírito Santo. Logo em seguida ele falou sobre identidade e transmitiu um questionamento que o Senhor faz em suas orações: “RCC, quem tu és?”. A resposta do próprio Senhor: “Tu és um poderoso mover do Espírito na Igreja para anunciar Jesus”.

Por meio do Batismo no Espírito Santo, a RCC é impulsionada para o serviço. Entretanto, ele destaca que o Batismo no Espírito Santo não é algo específico para a RCC. É para toda a Igreja. Todavia, para a Renovação Carismática, é uma missão específica, o Batismo está no DNA da RCC.

Vinícius relembrou o papa São João Paulo II, quando em um encontro com o movimento na década de 1980, disse que a Renovação Carismática era rosto e memória de Pentecostes na Igreja e no mundo. Segundo Vinícius, o papa exortou desta forma porque as pessoas precisam olhar para a RCC e enxergar a graça de Pentecostes. É preciso ter a coerência de uma vida renovada e dar testemunho em todos os lugares.

Ser rosto, argumentou o pregador, é deixar as pessoas enxergarem o Pentecostes em todos os lugares, seja no trabalho, no Grupo de Oração, no trânsito. Ele lembrou uma fala de Monsenhor Jonas Abib que dizia que temos que ser Mister Pentecostes ou Miss Pentecostes, como embaixadores, representantes desta graça no mundo.

Já ser a memória, é guardar a experiência, conservar toda a transformação que o Espírito Santo proporciona na vida de quem o experimenta. É preciso deixar essa memória viva e compartilhar isso com o mundo, como quem lembra das coisas boas de sua vida. “Tragam à tona o que é Pentecostes para o mundo de hoje”, exortou o presidente do Conselho Nacional da RCC.

Três pilares de sustentação da identidade

O pregador, Vinícius Simões, continuou o momento dizendo que existem três pilares de sustentação da identidade da Renovação Carismática Católica: o Batismo no Espírito Santo, a Prática dos Carismas e a Vivência Fraterna. Confira abaixo a formação sobre cada um.

Batismo no Espírito Santo

Vinícius começou mencionando duas falas sobre o Batismo. João Batista anunciava um novo Batismo – “Eu vos batizei com água; ele, porém, vos batizará no Espírito Santo” (Mc 1,8). Jesus anunciou o batismo aos apóstolos – "mas vós sereis batizados no Espírito Santo daqui a poucos dias" (At 1,5).

A partir dessas duas falas, o pregador comentou sobre o costume do povo Israel nos tempos de Jesus. Quem era pobre, tinha roupas simples e não tinha condições de tingi-las. Suas roupas eram das cores naturais da lã. Já os ricos, compravam especiarias e ervas de outros países e criavam soluções que permitiam tingir a roupa. O processo de tingimento durava dois, cinco, sete e até 14 dias. Nesse processo, a lã era submergida na tinta para que todas as fibras e fios recebessem a nova cor.

A relação disso com o Batismo é que, assim como o tingimento que modifica toda a lã, de dentro para fora e fio a fio, as águas do Batismo também transformam o homem por completo. Segundo Vinícius, Jesus quis dizer aos apóstolos que eles seriam mergulhados não no tingimento, mas no Espírito Santo. “Vocês serão mergulhados e de tal maneira, impregnados. Nunca mais serão os mesmos”, considerou o pregador.

Essa transformação de dentro para fora e por completo é o mesmo relato do capítulo 37 da profecia de Ezequiel, que conta a visão dos ossos secos que ganham vida. Vinícius disse ainda que o Batismo Espírito Santo é uma experiência no amor de Deus, de acordo com Romanos 5,5 – “porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado”.

Vinícius destaca que há o antes e o depois do Batismo no Espírito Santo. É uma marca temporal na vida de quem o experimenta. Ele trouxe o relato de um dos pioneiros da RCC, David Mangan, que esteve no retiro em Duquesne, em 1967, quando surgiu a RCC. “Deus quer abalar as nossas estruturas pela potência do Espírito Santo”, afirma o pioneiro. Segundo Vinícius, após o Batismo, é como se uma barragem se rompesse no interior do batizado e a graça de Deus se espalhasse de tal forma, modificando tudo dentro de si. “A experiência do Batismo no Espírito Santo gera uma profunda metanóia (mudança de vida)”, completou.

Por fim, sobre o Batismo, o pregador trouxe uma reflexão do Cardeal Suenens, um dos primeiros nomes da Igreja a apoiar e a estudar a RCC como movimento que estava nascendo, nos anos 1970, que dizia que o Batismo no Espírito Santo não é uma super experiência espiritual. Entretanto, por meio dele, vem um sopro que faz emergir a graça sacramental recebida pelo indivíduo que, muitas vezes, está adormecida ou até escondida.

Ele encerra dizendo que é preciso pedir humildemente o Batismo, abrir o coração para que Deus possa agir. Dizendo isto, relembrou a pioneira da RCC no mundo, Patti Mansfield, que

também estava no retiro de Duquesne. Ela relata que rezava no retiro: “Senhor, se o teu Espírito pode fazer mais em mim, eu quero”.

Prática dos Carismas

Ao falar sobre os carismas, Vinícius já iniciou com uma fala do Cardeal Suenens: “Os carismas são como raios solares. Não são o sol, mas são inerentes a ele”. Inerente quer dizer estar ligado a alguma coisa. Vinícius completou dizendo que os carismas são o próprio Espírito Santo em ação.

Citou ainda o Cardeal Joseph Ratzinger, em 1986, muitos anos antes de se tornar o papa Bento XVI. Ele estudou movimento nascente da RCC e o acompanhou muito de perto. O cardeal disse em uma entrevista que os carismas não são coisas antigas, passadas, mas uma realidade do mundo de hoje.

Vinícius Simões explicou, após essas duas falas, que os carismas são para toda a igreja. Ele citou o Catecismo da Igreja Católica (n. 800), que diz que os carismas devem ser acolhidos. É para toda a Igreja, disse o pregador, entretanto, “a nós é dado como um ofício próprio”. Faz parte da vida da RCC e a RCC não vive sem eles.

Vivência Fraterna

A reflexão deste tópico já começou com a leitura de Atos dos Apóstolos 2,44ss. “Todos os fiéis viviam unidos e tinham tudo em comum”, começa a leitura. No versículo 47b, o pregador deu uma ênfase: “E o senhor cada dia lhes ajuntava outros, que estavam a caminho da salvação”.

Vinícius Simões ressaltou a grande graça da Vivência Fraterna. É preciso viver em comum, estar com os irmãos. Segundo ele, interpretando a exortação apostólica Evangelii Gaudium (2013), “a Igreja não cresce por propaganda, mas por atração”. É a atração da vida em comum. O amor entre os irmãos chama a atenção do mundo.

O pregador destacou que somente cheio do Espírito Santo é possível amar e se doar. Somente com a graça, é possível chegar ao ponto de dizer que o meu cansaço a outros descanse.

Guardar a identidade para testemunhar Pentecostes

Vinícius Simões recordou momentos que viveu, em 2019, após ter sido eleito presidente do Conselho Nacional da RCC. Ele disse que pedia a Deus o direcionamento, queria saber o que Deus queria dele como servo. Afinal, “não dá pra empurrar com a barriga”.

O Senhor recordou Vinícius de algo que já tinha colocado em oração: três verbos – resgatar, guardar e propagar. Todos relacionados à identidade da RCC. E assim propôs-se a vivência para três anos, os três anos que Vinícius estará à frente desta missão da RCC Brasil.

Em 2020, viveu-se o Resgatar a Identidade, no sentido de pegar de volta, de reassumir a identidade. Ele comenta que ouviu falar que este momento foi prejudicado, devido às mudanças na sociedade pelo isolamento causado pela pandemia. Entretanto, Vinícius discorda dessa ideia, pois foram inúmeras as oportunidades de voltar a rezar como antes e testemunhou o quanto Deus fez neste tempo.

Para 2021, o verbo que direciona a formação do movimento é o Guardar. Ele não é para ser usado no sentido de esconder, ocultar. Mas com a intenção de zelar, proteger, cuidar para que não se extravie.

Guardar a identidade é importante para que qualquer pessoa olhe para um carismático e veja o rosto de Pentecostes. Ele lembra de uma pregação de Michelle Moran, em 2015, durante o ENF daquele ano. Michelle era presidente dos Serviços Internacionais para a Renovação Carismática Católica, entidade que foi convertida no Charis, em 2017.

Com a sua vivência e conhecimento internacional, ela relatou que em muitos lugares a RCC já é um fato histórico. Foi algo e não existe mais. Existem locais que realizam Seminário de Vida no Espírito Santo e que não há Batismo. Há líderes se perdendo. Segundo ela, há até grupos de oração bons, onde se canta, dança, prega a Palavra, mas não é um Grupo de Oração carismático.

Vinícius recordou este relato para exortar a não perder a identidade. É preciso guardar esse tesouro que Deus deu e mantê-lo vivo. Segundo ele, é preciso ter cuidado para não colocar muitos penduricalhos na vida da RCC e perder a essência.

Essa visão é construída a partir da fala do Cardeal Raniero Cantalamessa, que diz que “com a banalização do Batismo no Espírito Santo, começa o achatamento da RCC”. Para Vinícius, não guardar a identidade é a quebra do pilar fundamental da RCC.

Vinícius exortou os carismáticos para que guardem a Identidade, que se aprofundem no Batismo no Espírito Santo. “Dê vazão ao amor de Deus que é derramado em teu coração e viva a fraternidade profunda”, completou.

Para encerrar, o pregador comentou sobre o tema que direciona a RCC em 2021: "mas descerá sobre vós o Espírito Santo e vos dará força; e sereis minhas testemunhas" (At 1,8). Ele questionou o Senhor: “como lincar o Guardar com o tema de 2021?”. Segundo ele, o Senhor lhe respondeu em alto e bom som: “Só é minha testemunha quem guarda a experiência de Pentecostes”.

“Somos chamados a ser testemunhas a partir do que temos visto, vivenciado e experimentado”, finalizou Vinícius.

 
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